Da biblioteca ao libreto: 'A morte em Veneza' na versão ópera
Editor conta como surgiu a publicação de "A morte em Veneza" em coleção com obras de ficção que foram adaptadas para ópera
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Leonardo Silva - Especial para o EM
“A ideia de publicar ‘A morte em Veneza’ surgiu com a coleção Libro&Libreto, que tem como objetivo levar ao leitor obras de ficção que foram adaptadas para a ópera – assim, se encontram no mesmo volume o original e a adaptação para o libreto. Isso está no cerne do propósito da editora, que é unir literatura e música, diferencial que considero de muita responsabilidade e com grande potencial.
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Mas o que é exatamente literatura e música? Em um dos nossos livros mais vendidos, ‘Floresta de lã e aço’, de Natsu Miyashita, está muito claro que a música é essencial ao enredo. ‘A morte em Veneza’ não é exatamente um livro musical, nem adianta forçar a barra e dizer que a linguagem de Thomas Mann é musical. Nesse caso, o trabalho de curadoria destaca a editora e a coleção, pois, a partir do momento em que publicamos o libreto junto à novela original, um campo enorme se abre, que é a ópera. Dessa forma, o livro passa a ser música também. O leitor terá a oportunidade de conhecer uma adaptação da obra pensada para os palcos pelo compositor britânico Benjamin Britten (1913-1976). O texto pode ser lido, mas é fundamentalmente cantado, e a obra se torna música.
Por isso oferecemos, além do livro brochura, uma edição especial que vem no box com um encarte para ampliar a experiência musical. Há um texto de Lívia Sabag, uma das mais respeitadas diretoras cênicas do Brasil, que já encenou ópera de Britten (não exatamente essa). E entrevistas que fiz com Colin Matthews, compositor e ex-assistente de Britten, e Caren Heuer, diretora do Museu Buddenbrook, em Lübeck, responsável por parte do arquivo de Thomas Mann. Há também ilustrações, remetendo ao palco, criadas por Carla Caffé.
No posfácio do livro brochura, há dois nomes que trazem contribuição importante para a compreensão da obra: o escritor brasileiro João Silvério Trevisan (autor de ‘Ana em Veneza’) e o alemão Dieter Borchmeyer, que acaba de lançar um livro de mais de mil páginas sobre a obra de Thomas Mann. Em resumo, nosso trabalho foi feito para ampliar uma obra literária para o universo da música.”
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LEONARDO SILVA é fundador e editor da Zain, que lança no Brasil “A morte em Veneza” na coleção “Libro&Libreto”