O motorista de aplicativo Gilberto Nogueira de Oliveira, de 42 anos, ganhou na Justiça uma indenização de R$ 20 mil contra a Santa Casa de Misericórdia de Atibaia. O valor decorre do vazamento de fotografias do seu ferimento, registradas durante atendimento médico e compartilhadas nas redes sociais.
Três anos após sofrer a amputação do pênis provocada pela companheira, Gilberto pretende usar o montante para financiar um novo casamento com ela e dar entrada em uma prótese peniana. Os dois retomaram a convivência após a mulher sair da prisão.
Leia Mais
MG: menina de 11 anos tem quatro dedos amputados em clube e será indenizada
BH: motorista de aplicativo é extorquido em R$ 30 mil por grupo de mulheres
O crime ocorreu em 22 de dezembro de 2023, em Atibaia. Daiane dos Santos Farias descobriu uma traição e atacou o parceiro. Durante uma relação íntima, ela prendeu as mãos do homem com uma calcinha, cortou o órgão com navalha, jogou na privada e deu descarga.
Daiane confessou o ocorrido na mesma madrugada e recebeu pena de quatro anos e oito meses de reclusão. Em novembro do ano passado, ela obteve livramento condicional e deixou a Penitenciária Feminina de Mogi das Cruzes. O casal reatou a relação logo depois.
Planos para a indenização e recurso
Gilberto considera a quantia insuficiente e quer recorrer para alcançar os R$ 100 mil pedidos na ação inicial. "Essa indenização é muito baixa. Eu quero mais. Preciso de dinheiro porque também quero reformar a minha casa", afirmou.
Ele também tenta obter a prótese peniana pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O paciente começou os atendimentos preparatórios na rede pública e realizou exames de sangue recentes para dar andamento ao tratamento cirúrgico.
Como a Justiça identificou o vazamento
Ferido, Gilberto recebeu primeiros socorros na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Cerejeiras, seguiu para a Santa Casa de Atibaia e foi transferido para cirurgia no Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista.
Na Santa Casa, profissionais solicitaram autorização para fotografar a lesão sob a justificativa de que nunca haviam atendido caso semelhante. O paciente consentiu, mas as imagens circularam em grupos de WhatsApp e no Twitter, hoje denominado X.
A apuração judicial analisou computadores das unidades de saúde envolvidas. Uma das imagens exibia um monitor Dell com os sistemas SPDATA e Siresp/Cross, além de arquivos identificados como "Drive Emergência", "Siresp" e "Passagem Plantão".
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A perícia localizou o computador com essa configuração específica na Santa Casa de Atibaia. O juiz Marcelo Octaviano Diniz Junqueira reconheceu a exposição vexatória sofrida pela vítima e fixou o pagamento de R$ 20 mil com correção e juros, rejeitando pedidos contra o município e o hospital de Bragança Paulista.
