Pastor foi ‘absolvido’ por conselho de 13 homens da igreja, mas acabou preso por suspeita de abuso sexual após denúncias de 12 mulheres
Após romper o silêncio, denúncia encoraja outras 11 mulheres a buscarem apoio na Justiça contra o líder religioso acusado em Porto Velho
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A iniciativa de Mirian Rios revelou uma série de relatos sobre crimes sexuais atribuídos ao pastor e psicólogo Aluizio Vidal Flor, de 58 anos, em Porto Velho. Após a manifestação inicial, 12 mulheres procuraram o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) em um intervalo de dois meses para denunciar abusos ocorridos ao longo de 20 anos.
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Mirian buscou atendimento profissional com o objetivo de salvar seu casamento. Durante uma consulta, o terapeuta ultrapassou limites éticos e pessoais. Antes de acionar os órgãos judiciais, a vítima procurou uma solução interna na Igreja Presbiteriana do Brasil. Um conselho de 13 homens rejeitou as acusações por falta de provas e puniu o líder apenas por "falas impróprias", após ele admitir comentários sobre o corpo da paciente.
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Após a decisão eclesiástica, Mirian enfrentou perseguição e difamação no meio comunitário. Diante desse cenário, ela recorreu ao Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO. O relato incentivou outras sete mulheres a denunciarem a conduta do acusado, permitindo a abertura do inquérito policial que resultou em sua prisão preventiva.
Conduta no consultório e processo judicial
O Ministério Público apontou que Aluizio se aproveitava da condição profissional para coagir mulheres que chegavam fragilizadas por perdas gestacionais, traumas familiares ou crises conjugais. Durante as consultas, ele utilizava exercícios de "hipnose" ou "relaxamento" para cometer as violações.
A paciente Kamila Fernanda relatou comportamento semelhante após dez anos de atendimento. De acordo com a vítima, o acusado declarou atração física, mencionou o desejo de vê-la sem roupa após uma cirurgia bariátrica e tentou levantar a blusa dela durante uma indução de hipnose na sessão terapêutica.
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A denúncia apresentada à Justiça reúne acusações de estupro contra duas vítimas e violação sexual contra outras duas. Casos ligados a outras quatro mulheres tiveram pedido de arquivamento por prescrição dos fatos ocorridos há mais de duas décadas ou por falta de tipificação penal da importunação sexual na época. Procurada pelo g1 após o oferecimento da denúncia, a defesa preferiu não se manifestar.