Em 12 de outubro de 1995, feriado de Nossa Senhora Aparecida, o pastor Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chocou o Brasil. Durante o programa "O despertar da fé", transmitido em rede nacional pela TV Record, ele chutou e socou uma imagem da santa, em um ato de intolerância religiosa que gerou repercussão imediata.

Ao vivo, de microfone na mão, o pastor questionou a veneração à figura religiosa. "Será que Deus, o criador do universo, pode ser comparado a um boneco desse, tão feio, tão horrível, tão desgraçado!?", disse ele.

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A cena provocou uma onda de indignação nacional. Instituições como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e até o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), condenaram publicamente o ato. A repercussão foi tão forte que o próprio fundador da Igreja Universal, Edir Macedo, pediu perdão aos católicos.

Em meio à crise e após receber ameaças de morte, Von Helder foi afastado do programa de TV. No Brasil, ele passou a responder a um processo criminal.

Ao ser indiciado, o pastor alegou que "apenas encostei o pé sobre a estátua e apalpei com as mãos", negando a agressão. A defesa não evitou a condenação por discriminação religiosa e vilipêndio à imagem. No entanto, por ser réu primário, a pena foi convertida, e o pastor nunca chegou a ser efetivamente preso pelo ato.

O caso ficou marcado na história e é frequentemente lembrado pela dimensão da reação pública e institucional, em uma escala raramente vista em outros ataques a símbolos sagrados ocorridos no país desde então.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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