Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso apura a suposta atuação de uma família de missionários religiosos em um esquema ligado ao Comando Vermelho. Segundo os investigadores, Rhavenna Barcelos de Almeida e seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, usavam o acesso a presídios para manter contato com integrantes da facção, movimentar recursos financeiros e fortalecer vínculos com criminosos.
De acordo com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a família fazia parte de um grupo autorizado pelo governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa em unidades prisionais. A apuração começou após uma denúncia que apontava a ligação dos três com membros da organização.
Leia Mais
Oruam, mãe e irmão são alvos de operação policial contra o Comando Vermelho
Membros do CV são condenados em MG; penas somadas ultrapassam 230 anos
Facção venezuelana passa a atuar no Brasil e faz parcerias com PCC e CV
Acesso a presídios sob suspeita
Os investigadores afirmam que os suspeitos se aproveitaram da atividade religiosa para se aproximar de lideranças do crime organizado que cumpriam pena na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá. Segundo a polícia, eles transmitiam recados, emprestavam contas bancárias para movimentação de dinheiro e ajudavam a ocultar recursos do tráfico de drogas.
Materiais obtidos com autorização judicial, como mensagens e fotos, demonstram a proximidade de Rhavenna Barcelos de Almeida com integrantes da facção. Entre os registros analisados, há imagens da investigada exibindo armas, grandes quantias em dinheiro, joias e veículos de luxo.
Relação com traficante foragido
Um dos principais nomes no inquérito é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman e apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele cumpria pena na mesma unidade prisional frequentada pela família.
Segundo a investigação, Batman recebeu autorização para o regime semiaberto em setembro de 2024, mas rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Rio de Janeiro. A polícia afirma que Rhavenna mantinha contato com o criminoso e sabia sua localização. Mensagens analisadas mostram o compartilhamento de localização e diálogos sobre operações policiais no Complexo do Alemão.
A apuração concluiu que os dois tinham um relacionamento amoroso. A missionária viajava com frequência ao Rio de Janeiro, onde se encontrava com o traficante e participava de momentos de lazer financiados pelo grupo criminoso.
Ostentação financiada pelo crime
A rotina de Rhavenna era marcada pela ostentação. Entre os materiais apreendidos estão registros em carros de luxo, joias e festas. A polícia afirma que um Porsche avaliado em cerca de R$ 600 mil, exibido por ela nas redes sociais, pertencia a Batman.
Outras mulheres que frequentavam os presídios como missionárias também passaram a ser investigadas. Segundo a Draco, algumas mantinham relacionamentos com traficantes e foram indiciadas por falso testemunho por terem mentido em depoimentos.
Segundo relacionamento com liderança da facção
A polícia identificou ainda uma ligação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele está preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico e organização criminosa.
De acordo com o inquérito, os dois mantinham um relacionamento amoroso. A investigação aponta que o preso enviava presentes à investigada, incluindo joias e um veículo. Conversas obtidas pela polícia mostram que ela tinha conhecimento da posição de destaque ocupada por Renildo na facção.
Rhavenna Barcelos de Almeida, Orminda de Almeida e Nivaldo de Almeida foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.
A Justiça de Mato Grosso proibiu os investigados e outras quatro pessoas de participarem de atividades de assistência religiosa em unidades prisionais. A Secretaria de Justiça informou que reforçou a fiscalização contra o uso de celulares na Penitenciária Central de Cuiabá.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Em nota, a defesa de Rhavenna negou as acusações. A defesa de Orminda declarou que a investigada não tem participação em organização criminosa. Nivaldo de Almeida morreu nesta semana em consequência de um câncer.
