SÃO PAULO

Laudo encontra 14 lesões em mulher de PM morta; marido alega suicídio

Perícia indica que tiro não foi à queima-roupa e dificulta tese de suicídio sustentada por PM preso em Embu das Artes

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A investigação sobre a morte de Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, ganhou novos elementos após a análise do laudo necroscópico. O exame, conforme apuração da TV Globo, identificou pelo menos 14 equimoses, marcas semelhantes a hematomas, espalhadas pelas mãos, pelos pés, pelos joelhos e pela perna esquerda da vítima.

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Larissa foi encontrada morta no domingo (6/9), com um tiro na cabeça, no banheiro da casa onde morava com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva, de 26 anos, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O policial é investigado por suspeita de envolvimento na morte e está preso por determinação da Justiça comum.



A defesa de Vinícius sustenta a versão de que Larissa tirou a própria vida. O policial afirmou à polícia que havia conversado com a mulher sobre a separação antes de encontrá-la morta. A perícia, contudo, identificou elementos que levaram os investigadores a considerar a hipótese de feminicídio.


O que diz o laudo


As marcas foram distribuídas por diferentes partes do corpo de Larissa. O exame apontou uma equimose de 4cm por 2cm na lateral da mão esquerda, próxima ao dedo mínimo, e outra, de 1cm por 1cm, no dorso da mão direita.


Nos pés, foram encontradas duas lesões nos dorsos, com 3cm por 2cm e 2,4cm. O joelho direito apresentava três marcas, com dimensões entre 0,5cm e 1,5cm, enquanto o esquerdo tinha duas, de 1cm por 0,5cm e 1cm por 1cm. Na perna esquerda, foram identificadas outras cinco, todas com tamanhos entre 1cm e 1,5cm.



A presença dessas lesões, porém, não permite determinar por si só como elas foram provocadas. O documento não estabelece a data em que os ferimentos ocorreram nem aponta se foram causados por uma agressão, uma queda ou alguma outra circunstância. A coloração arroxeada das marcas também não permite precisar quando surgiram.


O exame registrou ainda “muitos fios de cabelos soltos” encontrados na roupa da vítima. O documento não identifica a origem dos fios nem esclarece como eles foram parar na calça.


Trajetória do disparo


O laudo aponta que Larissa morreu em decorrência de um traumatismo craniano provocado por um ferimento de arma de fogo. Apenas um disparo foi identificado, com entrada na região temporal esquerda e saída na área temporoparietal direita.


A direção do projétil também foi registrada pelos peritos.


“Um projétil penetrou em região temporal esquerda do crânio e saiu na região temporoparietal direita, perdendo-se no meio ambiente. O vetor do trajeto foi de trás para frente e da esquerda para a direita.”


Segundo informações preliminares dos peritos, o tiro não teria sido efetuado à queima-roupa. A análise indica ainda que Larissa teria sido atingida pelas costas enquanto estava em pé.



Esses elementos passaram a ser considerados pela investigação na análise da versão de que a própria vítima teria efetuado o disparo. Como Larissa era destra, a trajetória identificada pelos peritos também foi apontada como um fator que dificultaria a hipótese de suicídio.


Segundo a TV Globo, o laudo toxicológico ainda não estava concluído.


O exame também respondeu negativamente ao quesito sobre a possibilidade de a morte ter ocorrido por determinadas formas específicas de violência, como “veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel”. Essa conclusão não permite, isoladamente, descartar a hipótese de homicídio, uma vez que se refere às circunstâncias descritas naquele quesito.


Versão apresentada pelo PM


Em depoimento à polícia, Vinícius afirmou que havia dito a Larissa que não a amava mais e que pretendia terminar o relacionamento. Segundo o relato do policial, a mulher começou a chorar após a conversa, enquanto ele decidiu ir dormir no quarto.


O soldado contou que acordou depois de ouvir um barulho e, ao verificar o que havia ocorrido, encontrou a esposa caída no banheiro. A irmã dele também estava na residência e relatou ter ouvido a conversa do casal sobre a separação.


O filho de Larissa e Vinícius, de 2 anos, estava no imóvel no momento do disparo.


Vinícius nega ter cometido o crime e afirma que a mulher tirou a própria vida. A investigação, no entanto, passou a trabalhar com a hipótese de feminicídio diante dos elementos reunidos até o momento.


Prisão e próximos passos


A Justiça comum decretou a prisão do soldado a pedido da Polícia Civil. Vinícius foi levado na segunda-feira (7/9) ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, onde permanece detido. A prisão temporária foi mantida pelo prazo de 30 dias.


O celular do policial também foi apreendido, mas ele não forneceu a senha aos investigadores. A Polícia Civil aguarda a conclusão de outros exames periciais para avançar na apuração.

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Entre as próximas medidas previstas está a reprodução simulada dos fatos, que deverá ser realizada para ajudar os investigadores a esclarecer a dinâmica da morte.



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