Operação Cavalo de Troia: Gaeco prende secretários de Bauru por fraude em licitação de R$ 5,2 bilhões
Esquema envolvia infiltração de uma secretária ligada a empresa para direcionar o maior contrato da história do município, aponta o Ministério Público
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Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), batizada de "Cavalo de Troia", cumpriu sete mandados de prisão temporária em Bauru, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (9). A ação investiga uma suposta fraude para direcionar uma licitação de R$ 5,2 bilhões, a maior da história do município, destinada à gestão de resíduos sólidos por 30 anos.
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No total, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão. A investigação apura crimes de organização criminosa, fraude em licitação, advocacia administrativa e falsidade ideológica. Paralelamente, foi deflagrada a Operação Mobius, que investiga irregularidades em um contrato de coleta seletiva na cidade.
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Como funcionava o esquema de fraude na licitação?
Segundo a investigação do Ministério Público, a principal estratégia do grupo era infiltrar uma secretária com vínculos profissionais e financeiros com a empresa beneficiária diretamente na administração municipal. O objetivo era direcionar o contrato, limitando a competitividade para garantir a vitória de um consórcio pré-determinado. A investigação detalha as seguintes etapas:
Infiltração de agente-chave: nomeação de uma secretária com laços com a empresa interessada para manipular o processo internamente.
Direcionamento do edital: criação de exigências técnicas e financeiras restritivas, que apenas o consórcio alvo poderia cumprir.
Restrição da concorrência: outras empresas interessadas eram inabilitadas ou desestimuladas a participar da licitação.
Qual o valor do contrato investigado?
O contrato sob investigação em Bauru é de aproximadamente R$ 5,2 bilhões, considerado a maior contratação pública já projetada na história do município. O valor corresponde à concessão dos serviços de limpeza urbana e gestão de resíduos sólidos por um período de 30 anos, abrangendo desde a coleta de lixo domiciliar até o tratamento e a destinação final.
Quem são os alvos da operação?
Os alvos da operação incluem secretários municipais das pastas de Negócios Jurídicos e Meio Ambiente, uma secretária-adjunta, um coordenador da prefeitura e empresários ligados ao setor. Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de bens dos investigados e a suspensão judicial da concorrência pública.
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O Ministério Público segue com a análise dos documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos para identificar outros possíveis envolvidos. Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação do MPSP e que irá colaborar com todas as etapas da investigação.