Oito anos após o ataque a Bolsonaro futuro de Adélio Bispo é foco de disputa legal
Justiça avalia pedido para mover Adélio de presídio federal para tratamento psiquiátrico; diagnóstico de esquizofrenia embasa nova decisão judicial
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Oito anos após a facada que quase matou Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, data relembrada neste domingo (6/9) por Flávio e Carlos Bolsonaro em suas redes sociais, o autor do ataque, Adélio Bispo de Oliveira, segue no centro de uma disputa judicial sobre seu futuro.
Um laudo psiquiátrico, concluído em novembro de 2025 e divulgado em janeiro de 2026, recomendou a transferência dele da Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) para um hospital de custódia ou outra unidade de tratamento psiquiátrico. A perícia atualizou seu diagnóstico para esquizofrenia, concluindo que o ambiente prisional agrava seu quadro de saúde.
A avaliação havia sido solicitada pela Justiça Federal para reavaliar a medida de segurança imposta a Adélio, um procedimento padrão para casos de internação por tempo indeterminado, visando verificar a evolução de sua condição mental e se a periculosidade persistia.
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Qual foi o objetivo da perícia?
A avaliação psiquiátrica buscou determinar o estado de saúde mental de Adélio Bispo para orientar o juiz sobre a necessidade de manter, alterar ou encerrar a medida de segurança. O foco era entender se ele ainda representava um risco que justificasse sua permanência em um presídio de segurança máxima.
Uma equipe de peritos designados pelo tribunal conduziu uma série de exames e entrevistas com Adélio. O relatório final, já anexado ao processo, serve de base para a decisão judicial.
O que o laudo recomendou e o que acontece agora?
Com o laudo em mãos, a Justiça Federal analisa as conclusões dos peritos, que recomendaram o encaminhamento de Adélio para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG). A defesa e o Ministério Público Federal (MPF) também se manifestarão sobre o documento antes que o magistrado responsável decida o futuro do agressor.
As possibilidades a partir da análise do laudo são:
Acatar a recomendação: se a Justiça concordar com os peritos, Adélio será transferido para uma unidade de tratamento psiquiátrico adequada.
Manter a internação no presídio: o juiz pode, de forma fundamentada, discordar do laudo e determinar que Adélio permaneça na penitenciária federal, caso entenda que o risco à segurança pública justifica a medida.
Desinternação: este cenário continua sendo o mais improvável, pois a medida só seria suspensa se os peritos atestassem o fim de sua periculosidade, o que não foi apontado no laudo.
Adélio Bispo pode ser solto?
A liberdade de Adélio Bispo não está em discussão. Ele foi considerado inimputável pela Justiça, ou seja, incapaz de responder criminalmente por seus atos devido a um transtorno mental. Por isso, em vez de uma pena de prisão, foi aplicada uma medida de segurança, que consiste em internação para tratamento por tempo indeterminado.
Relembre o atentado de 2018
Em 6 de setembro de 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou Jair Bolsonaro na região do abdômen. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) logo após o ataque.
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As investigações concluíram que Adélio agiu sozinho, motivado por questões políticas. Laudos psiquiátricos realizados na época diagnosticaram Transtorno Delirante Persistente, o que fundamentou a decisão judicial que o considerou inimputável. A perícia mais recente, de 2025, atualizou o diagnóstico para esquizofrenia.