'Experimento social' ou crime? Entenda a investigação contra Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp
Conheça as origens nos espetáculos do século 19 e as razões socioculturais que tornaram o ato um símbolo inaceitável no combate ao preconceito
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Passados mais de cinco meses do episódio, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) segue sob investigação da Polícia Federal por racismo e transfobia, sem prazo definido para conclusão, depois de ter pintado o rosto e os braços de marrom durante um discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em 18 de março de 2026. O caso, batizado por ela de "experimento social" e usado para questionar a legitimidade de mulheres trans em espaços de representação feminina, reacende o debate sobre os limites da caracterização e a origem histórica de uma prática amplamente reconhecida como racista: o blackface.
O que é blackface?
Blackface é a prática de pessoas não negras pintarem o rosto com tinta escura para representar, de forma caricata e estereotipada, pessoas negras. A caracterização geralmente inclui o exagero de traços físicos, como lábios e nariz, reforçando estigmas racistas e desumanizadores.
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Qual a origem histórica do blackface?
A prática surgiu no século 19, nos Estados Unidos e na Europa, com os chamados "minstrel shows". Nesses espetáculos de entretenimento popular, atores brancos pintavam os rostos e imitavam pessoas negras de maneira pejorativa. As performances eram baseadas em estereótipos que retratavam a população negra como preguiçosa, ignorante e subserviente.
Esses shows se popularizaram em um período de intensa segregação racial e serviram como uma ferramenta cultural para justificar e perpetuar a opressão e a violência contra a comunidade negra. As caricaturas criadas no palco influenciaram a percepção social e ajudaram a consolidar preconceitos que persistem até hoje.
Por que a prática é considerada racista?
O blackface é amplamente condenado por ser uma manifestação de racismo estrutural, cujas implicações vão muito além de uma simples fantasia. A prática é problemática por várias razões centrais:
Reforço de estereótipos: a caracterização perpetua visões distorcidas e humilhantes sobre a aparência e o comportamento de pessoas negras, reduzindo sua identidade a uma caricatura.
Apropriação e apagamento: ao invés de dar espaço a artistas negros, a prática permitia que atores brancos ocupassem esses lugares, lucrando com a ridicularização de uma cultura que não era a sua.
Contexto de opressão: o blackface não pode ser desassociado de seu passado, diretamente ligado à violência da escravidão e às leis de segregação que negavam direitos básicos à população negra.
Invalidação da identidade: o ato de "se vestir" de uma etnia para entretenimento banaliza as lutas e as vivências de um grupo historicamente marginalizado, tratando sua identidade como um disfarce.
A investigação da deputada em São Paulo
No caso envolvendo Fabiana Bolsonaro (PL-SP), a própria deputada pintou o rosto e os braços de marrom durante um discurso na Alesp, em 18 de março de 2026, como parte do que chamou de "experimento social": uma analogia transfóbica para argumentar que, assim como a tinta não a tornaria negra, uma mulher trans não seria, em sua visão, uma mulher "de verdade". O ato foi uma reação direta à eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL), mulher trans, para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
O episódio motivou denúncias da bancada feminista do PSOL na Alesp e do deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL), além de uma notícia-crime apresentada por outra parlamentar do partido. Em 27 de março de 2026, o Ministério Público Federal determinou a instauração de inquérito e encaminhou o caso para apuração da Polícia Federal por possíveis crimes de racismo e transfobia.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.