As festas juninas celebradas no Brasil são marcadas pelas tradicionais quadrilhas. A dança tem origem na quadrille francesa, popular na elite europeia nos séculos XVIII e XIX, e chegou ao país com a colonização portuguesa. Aqui, ela foi adaptada e incorporou elementos de povos africanos, firmando-se como uma tradição da cultura popular.
No ambiente escolar, a dança é uma importante ferramenta pedagógica que estimula coordenação motora, memória, socialização, expressão corporal e cooperação entre os estudantes.
Leia Mais
-
Arraial de Belô começa nesta sexta-feira (11/7) com concurso de quadrilhas
-
'Arraiá' leva quadrilhas para jardins do Palácio da Liberdade
-
Guia da Festa Junina em casa: as 7 comidas que não podem faltar
Segundo Diego Leite, professor de educação física do colégio Progresso Bilíngue de Vinhedo (SP), a quadrilha junina representa um momento de aprendizagem coletiva. “A dança junina envolve ritmo, atenção, escuta e interação. Os alunos aprendem a seguir comandos, trabalhar em grupo e respeitar o espaço do outro”, afirma.
O educador destaca que o trabalho em conjunto nos ensaios também ajuda no desenvolvimento socioemocional. Crianças tímidas ou inseguras podem se tornar mais confiantes para se apresentar em público. A atividade fortalece vínculos e incentiva a colaboração.
Os passos da quadrilha junina
A dança mistura coreografia, música e teatro, representando de forma bem-humorada um casamento caipira com personagens como noivos e padre. Os participantes seguem comandos narrados que conduzem os movimentos e as formações dos casais.
O professor detalha os passos da dança:
-
Formação inicial: antes da música, os casais se posicionam em duas filas ou em roda. O marcador, que conduz a dança, organiza os participantes com chamados como: “Vamos arrumar a quadrilha!”.
-
Cumprimento aos convidados: os participantes saúdam o público e os colegas. Os casais podem se inclinar, acenar ou girar. O narrador anuncia: “Olha o cumprimento!”.
-
Anarriê: derivado do francês en arrière (“para trás”), o comando orienta os casais a recuar alguns passos. O marcador grita: “Anarriê!”.
-
Anavantú: inspirado na expressão francesa en avant tout (“todos à frente”), o comando faz os pares avançarem. O chamado tradicional é: “Anavantú!”.
-
Balancê: os casais balançam o corpo de um lado para o outro no ritmo da música, segurando as mãos dos parceiros. O marcador anima com: “Balancê, balancê!”.
-
Caminho da roça: os participantes caminham em fila ou circulam pelo salão, simulando um passeio. Os comandos mais comuns são: “Olha o caminho da roça!”.
-
Olha a chuva!: o marcador interrompe a dança com o grito “olha a chuva!”. Os participantes fingem se proteger. Logo depois, vem a brincadeira: “é mentira!”.
-
Já passou!: após a falsa chuva, os casais retomam seus lugares e continuam a dançar. O marcador anuncia: “Já passou!”.
-
Túnel: um casal levanta os braços formando um arco, enquanto os outros passam por baixo. O comando é: “Olha o túnel!”.
-
Grande roda: todos dão as mãos e formam uma grande roda, girando pelo salão. O marcador incentiva: “Grande roda!”.
-
Troca de pares: os participantes mudam de parceiro para tornar a dança mais dinâmica. O comando tradicional é: “Troca de dama!”.
-
Caracol: os casais formam uma fila em espiral, aproximando-se do centro, e depois desfazem o movimento. O marcador anuncia: “Olha o caracol!”.
-
Passeio dos noivos: o casal principal desfila pelo salão, representando o casamento caipira. O narrador chama: “Olha os noivos!”.
-
Coroação ou encerramento: os participantes se alinham para os agradecimentos finais ao público. O encerramento pode vir com frases como: “A quadrilha terminou!” ou “Viva São João!”.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
