SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, suspeita de ter furtado material no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é professora doutora da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) da instituição desde 2025.

Na última segunda-feira (23/3), ela foi presa sob suspeita de furtar materiais de pesquisa. Ela chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), mas já deixou a prisão, segundo a Polícia Federal.

Soledad é biotecnologista formada na Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, e doutora em ciências na área de fármacos, medicamentos e insumos para saúde pela própria Unicamp.

Segundo o Portal do Docente e Pesquisador da Unicamp, a professora atua no ensino, pesquisa e extensão na área de ciência de alimentos. Anteriormente, trabalhou como analista no Laboratório Nacional de Biociências, em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer.

Atualmente, ela coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos em linhas de pesquisa relacionadas ao desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas aos vírus transmitidos por alimentos e água.

Entre os trabalhos de pesquisa, de acordo com o currículo Lattes, Miller atua em projetos relacionados aos vírus sincicial respiratório, metapneumovirus aviário e vírus da bronquite infecciosa, estabelecimento de linhagens celulares de morcegos para estudos in vitro de vírus e desenvolvimento de linhagens celulares aviárias como método alternativo para a produção de vacinas.

O advogado Pedro de Mattos Russo, que defende a pesquisadora, afirmou à Folha de S.Paulo que não houve furto e e que a pesquisadora utilizava a estrutura do Instituto de Biologia por não dispor de laboratório próprio.

De acordo com a Unicamp, o material foi furtado do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia na unidade voltada à pesquisa de agentes infecciosos de relevância animal.

O Laboratório de Virologia possui centros que operam com níveis 2 e 3 de biossegurança, em uma escala que vai até 4. Isso significa que os laboratórios são certificados para manipulação de materiais dessas classes de risco.

O Ministério da Saúde define a classe 2 como de risco moderado de contágio para o indivíduo e baixo para a comunidade. Essa classe inclui agentes que podem causar infecções em humanos ou animais, mas se espalham pouco e têm tratamentos e prevenções eficazes.

Já na classe 3, há alto risco de contágio para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. Os vírus podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Em nota oficial, a Unicamp afirma que se mantém à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das circunstâncias em que os fatos ocorreram.

compartilhe