Em 1972, na costa de Fort Lauderdale, na Flórida, a associação de pescadores Broward Artificial Reef Inc. iniciou a montagem de um imenso recife artificial. Com autorização do Army Corps of Engineers e apoio da fabricante Goodyear, o projeto previa despejar pneus usados no Oceano Atlântico.

O objetivo unia o descarte de resíduos volumosos à criação de novos habitats para peixes e corais. Entre abril de 1972 e novembro de 1973, cerca de 240 mil pneus foram lançados ao mar, amarrados com cintas de náilon.

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Registros históricos apontam que o número total pode ter chegado a 2 milhões de pneus espalhados por quase 14 hectares. Batizado de Osborne Reef, o local deveria estimular a biodiversidade marinha, mas gerou consequências opostas.

Danos aos ecossistemas naturais

Com o passar dos anos, as amarras que prendiam as peças se romperam e a corrosão destruiu os fixadores metálicos. Os pneus se soltaram e ficaram dispersos pelo leito oceânico.

Durante tempestades tropicais, ondas e correntes marinhas empurram esses resíduos contra recifes naturais vizinhos. A movimentação constante arranca e destrói colônias de corais que levaram décadas para se desenvolver.

Os corais desempenham papéis fundamentais no oceano: servem de abrigo para a fauna marinha, fornecem alimento e protegem a costa contra a força de tempestades e tsunamis. Além dessas funções, atuam na regulação do clima em situações de grandes catástrofes.

Nos anos 1990, avaliações técnicas constataram que apenas 10% das estruturas submersas receberam fixação de vida marinha. A instabilidade dos pneus impede a fixação duradoura de novos organismos.

Desafios e custos da limpeza

Para conter o avanço da degradação, equipes organizaram operações de retirada do material. Em 2007, uma ação conseguiu resgatar cerca de 10 mil unidades do fundo do mar, volume pequeno diante do total acumulado.

O custo estimado para a retirada completa varia entre 40 milhões e 100 milhões de dólares. Mais de cinquenta anos após a instalação do recife, mergulhadores ainda trabalham na remoção dos resíduos.

O problema ocorre em meio a um cenário delicado para os mares. Dados do Smithsonian Tropical Research Institute indicam que 51% dos corais do planeta sofreram branqueamento em um intervalo de três anos.

Experimentos similares aconteceram em outros países. Na França, cerca de 25 mil pneus foram colocados no mar entre 1980 e 1989, na costa de Vallauris Golfe-Juan, na Côte d'Azur.

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O histórico de Osborne Reef revelou que recifes artificiais exigem estabilidade física e resistência ao ambiente marinho para evitar que projetos de conservação ameacem a vida selvagem.


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