CIÊNCIA

Nova descoberta em corais: cientistas conseguem reverter branqueamento em laboratório

Técnica publicada na Science Advances combate o impacto térmico nos oceanos; processo supera a lenta regeneração natural dos recifes de corais

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Recifes de corais sustentam ao menos 25% de toda a vida marinha mundial, segundo dados do Serviço Nacional dos Oceanos da NOAA. Esses animais dependem de algas microscópicas alojadas em seus tecidos para obter alimento por meio de fotossíntese, processo que também confere cores semelhantes às vistas na animação "Finding Nemo". Sob temperaturas elevadas nos oceanos, os corais expulsam esses organismos vitais, perdem a pigmentação e correm risco de morrer por inanição.

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O último evento global de branqueamento atingiu aproximadamente 84% dos recifes do planeta e durou cerca de dois anos e meio. Na natureza, a reabilitação das espécies afetadas costuma levar meses ou anos, mas pesquisadores da Universidade de Stanford documentaram um processo acelerado de cura em laboratório, publicado na revista "Science Advances".

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Conexão física entre tecidos

O estudo liderado por Danny Collins e pelo professor Steve Palumbi começou após uma observação acidental em 2025. Ao investigar como bactérias patogênicas presentes no plástico passavam para corais por contato físico, Collins cogitou inverter o mecanismo para transferir algas benéficas a fragmentos doentes. Testes laboratoriais comprovaram que a união física entre um coral saudável e um branqueado acelerou a recuperação total em sete semanas.

Durante a ligação, os tecidos se fundiram e formaram uma ponte que funcionou como via rápida de nutrientes. As algas começaram a migrar para o coral debilitado em apenas 36 horas após o contato. Em diferentes períodos avaliados, bastou uma semana de conexão para a recuperação completa do fragmento doente, além de períodos menores terem impulsionado a regeneração.

Limitações genéticas e intervenções

O experimento exigiu contato físico real. Quando os animais ficaram posicionados a poucos milímetros de distância, nenhuma recuperação aconteceu. Os exemplares também precisaram pertencer ao mesmo clone genético: testes com indivíduos de origens distintas resultaram em reações antagônicas similares à rejeição de órgãos.

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Embora essa restrição impeça a reprodução em larga escala no mar aberto através do contato manual, a pesquisa abre caminho para extrair as algas simbióticas de colônias sadias e aplicá-las nos animais atingidos sem necessidade de fusão tecidual. Collins enfatiza que evitar o aquecimento das águas continua sendo a solução definitiva, mas o método oferece alternativas para salvar espécies que enfrentam o estresse térmico.

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