CRISE POLÍTICA

Denunciado, ex-presidente do Paraguai vai para a prisão preventiva

A crise eclodiu em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank por problemas de solvência, deixando milhões de clientes sem acesso a seus depósitos

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O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi posto em prisão preventiva neste sábado (7/11), após ser denunciado por sua suposta responsabilidade em uma crise bancária que deixou milhões de correntistas sem acesso a seus depósitos e precipitou sua destituição, informou o juiz Humberto Otazu a jornalistas.

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Peña foi denunciado, neste sábado (7/11), por suspeita de lesão de confiança e administração em proveito próprio, no âmbito de uma investigação sobre irregularidades no Ueno Bank, entidade de cujo grupo controlador foi acionista até 2025.

O Ministério Público tinha pedido sua prisão preventiva e o bloqueio de seus bens. Ao final da audiência, o juiz informou que Peña cumprirá a medida no Regimento Escolta Presidencial em Assunção, onde já esteve detido na noite de sexta-feira, após ser transferido de sua casa, cercada por manifestantes.

"Queremos ver preso o responsável por esta desgraça. Prisão para Peña!", disse à AFP Macarena Chilavert, uma advogada de 33 anos, nas imediações da Procuradoria, enquanto Peña depunha.

Leila Cosini, uma estudante de 28 anos, que estava perto da Procuradoria enquanto Peña prestava depoimento, disse estar ansiosa e preocupada com o futuro de seus depósitos. "Perdi meu dinheiro. Eu o estava colocando ali justamente porque havia uma facilidade para abrir uma conta", destacou.

Após um interrogatório que se estendeu por mais de três horas, a Procuradoria pediu a prisão preventiva de Peña e o bloqueio dos bens dele e do ex-presidente do Banco Central paraguaio (BCP), Carlos Carvallo, denunciado pelos mesmos crimes do ex-presidente, além de produção de documentos públicos falsos.

Otazu disse que avaliaria na noite deste sábado as medidas contra Carvallo.

Sobre Peña, o juiz de garantias afirmou que ele "deve ficar sob a figura da prisão preventiva para garantir seu comparecimento" ao processo judicial e para evitar risco de fuga. Além disso, ressaltou que o ex-presidente "optou por permanecer em silêncio". 

Sem acesso a depósitos

A crise eclodiu em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank por problemas de solvência, deixando milhões de clientes sem acesso a seus depósitos.

A instituição bancária gerenciava mais de 800 milhões de dólares (R$ 4,4 bilhões, na cotação atual) em recursos públicos, segundo o Ministério Público, com base em estimativas do Ministério da Economia.

Peña, um economista de 47 anos, teve até 2025 ações da Ueno Holding, entidade controladora do banco, que operava como tal desde 2023.

Carvallo havia presidido o Ueno antes de assumir a presidência do Banco Central em 2023, cargo que ocupou até a última quarta-feira.

A crise do Ueno Bank afeta diretamente quase três milhões de contas que abrangem desde pensionistas, empresas públicas e privadas até a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

A intervenção no banco provocou fortes protestos nas ruas, que foram reprimidos pela polícia com jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo.

Peña, do Partido Colorado (conservador), foi preso na sexta-feira em sua residência em Assunção menos de uma hora depois de ter sido destituído em um acelerado julgamento político no Senado.

Os legisladores não aceitaram sua renúncia, que lhe teria garantido o foro privilegiado ao se tornar senador vitalício.

Paralelamente, o vice-presidente Pedro Alliana, do mesmo partido de Peña, assumiu a Presidência na sexta-feira, com a atenção voltada para a resposta de seu governo ao colapso bancário. 

"Descalabro financeiro"

Após assumir o cargo, Alliana prometeu que os afetados pelo "descalabro financeiro" serão compensados e determinou prioridade para os correntistas de menor renda.

Alliana, de 52 anos, deverá completar o mandato presidencial até agosto de 2028.

O mandatário informou, neste sábado, que já foram feitos pagamentos para 1.196.000 contas por um montante equivalente a cerca de 160 milhões de dólares (R$ 880 milhões, na cotação atual).

"Também garantimos o pagamento de salários e do décimo terceiro a todos os aposentados do (instituto de previdência social) IPS", informou no X.

O Banco Central divulgou uma lista de entidades bancárias que estarão abertas durante o fim de semana e afirmou que já foram devolvidos depósitos para "mais de 50%" dos correntistas afetados.

A destituição presidencial tem precedentes no Paraguai. Em 2012, o Senado afastou o presidente de esquerda Fernando Lugo por "mau desempenho de suas funções".

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