Crise no Paraguai: entenda o que fez o presidente renunciar
Descubra os detalhes da reviravolta financeira que mobilizou o governo vizinho e colocou a maior emissora de cartões sob rigorosa investigação
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5/11). O episódio aconteceu após o banco digital Ueno, que reúne cerca de 3 milhões de clientes e lidera a emissão de cartões de crédito no país, apresentar problemas financeiros e virar alvo de investigações. O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também deixou seu posto, nessa terça (3/11).
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A instituição teve o índice de solvência reduzido para menos da metade do patamar mínimo exigido após ajustes contábeis. Por isso, a autoridade monetária iniciou medidas para proteger correntistas e conter impactos no sistema financeiro. O Ministério Público determinou a abertura de investigação criminal e expediu ordens de prisão contra oito pessoas ligadas ao banco.
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Supervisão e pressões políticas
Carvallo comandou o Ueno até agosto de 2023. O presidente Santiago Peña solicitou o desligamento do dirigente após parlamentares rejeitarem um relatório do órgão fiscalizador por considerá-lo incompleto e criticarem a supervisão aplicada sobre a entidade financeira.
O dirigente declarou que seguirá no posto durante as ações iniciais de contenção. A saída definitiva visa reduzir controvérsias e permitir que a Superintendência de Bancos atue sem embates políticos ou pressão da imprensa.
Peña também enfrenta desgaste por relações societárias anteriores: o chefe de Estado foi sócio do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, até março de 2025.
Impacto nos correntistas e recursos públicos
O Ueno administra perto de US$ 850 milhões em valores públicos paraguaios. Nessa terça-feira, agências amanheceram com portas fechadas, afetando correntistas e aposentados que utilizam a instituição para receber benefícios governamentais.
Peña anunciou um acordo parlamentar para acelerar a tramitação de um projeto de lei focado no Fundo de Garantia. A iniciativa visa liberar pagamentos a depositantes e assegurar a recuperação de patrimônio estatal mantido pelo instituto de seguridade social IPS e por fundos de previdência.
Ações de controle e mercado
Órgãos reguladores já apuravam suspeitas de financiamento indireto da instituição à venda de ativos de uma companhia ligada ao seu grupo controlador, acusação rebatida pela direção. A Superintendência de Bancos nomeará auditores para inspecionar os ativos da entidade.
A autoridade financeira classificou a crise como um evento isolado, sem ameaça generalizada ao setor bancário. Peña reforçou a avaliação: "Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional". O mandatário declarou que os envolvidos "devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios".
A turbulência derrubou os papéis do Ueno em dólar previstos para 2031 e afetou os títulos da dívida soberana paraguaia. O quadro compromete a imagem internacional do país para atração de capitais externos, vindos em grande volume do Brasil. O Ueno migrou de uma fintech local para um banco de porte médio sob comando do Grupo Vázquez, caminho comparável ao de plataformas digitais como Monzo e Nubank.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata