Rei Charles III expressa seu 'mais profundo pesar pessoal' pela escravidão, mas sua manifestação não atende à reivindicação central feita por várias nações do Caribe
Monarca britânico classifica comércio como capítulo vergonhoso; países caribenhos cobram reparações e pedido oficial de perdão histórico
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O rei Charles III expressou seu "mais profundo pesar pessoal" pelo tráfico transatlântico de escravizados na abertura da Cúpula de Chefes de Governo da Commonwealth, realizada em Antígua e Barbuda. O monarca definiu o comércio de seres humanos durante séculos sob a Monarquia britânica como um "capítulo vergonhoso da história" que ainda projeta sombras sobre os países da organização.
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O pronunciamento ocorreu durante o encontro que reúne governantes de mais de cinquenta nações. Charles III evitou apresentar um pedido formal de desculpas, contrariando reivindicações apresentadas por governos e entidades civis de territórios caribenhos.
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Posicionamento do monarca
O monarca pontuou que o passado reúne acertos e erros dos antepassados, gerando consequências presentes. Ele declarou: "A história não está em nossas mãos escolhê-la nem mudá-la. Nossos antepassados a legaram a nós. Nossa herança inclui tanto suas conquistas quanto seus fracassos, o bem que fizeram, assim como os erros que cometeram".
O soberano reiterou que a sociedade não tem o poder de alterar atos pretéritos, mas pode assimilar lições históricas. Ao descrever a própria percepção sobre o comércio escravagista, Charles III afirmou: "Como já disse antes, esse vergonhoso capítulo da história me enche o coração de horror e a alma da mais profunda tristeza pessoal".
Em sua fala, o rei defendeu enfrentar as falhas históricas por meio de ações práticas para o futuro, sem mencionar as indenizações financeiras cobradas de Londres. Ele listou prioridades como:
acesso à educação e ao emprego;
comércio interno entre os países-membros;
resiliência diante das mudanças climáticas.
O líder da Commonwealth mencionou a superação de injustiças por meio da determinação coletiva, destacando a atuação da Marinha Real britânica para interromper o comércio internacional de escravizados.
Repercussões no Reino Unido
O Palácio de Buckingham buscou afastar o monarca da polêmica em torno de retratações e compensações. A instituição enfatizou que o papel exercido pelo soberano na chefia da comunidade busca "inspirar e convocar, mais que em elaborar políticas".
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, indicou abertura prévia para que o rei apresentasse um pedido oficial de desculpas perante a Commonwealth. A posição representou uma alteração frente à postura de líderes anteriores de Downing Street, embora dirigentes do Partido Conservador mantenham forte oposição a esse gesto.
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Burnham também descartou o atendimento aos pedidos de reparações financeiras articulados por países caribenhos, movimento liderado pela Jamaica.