"CONCORRÊNCIA DESLEAL"

Por que o Pix incomoda tanto Donald Trump?

Os EUA consideram o sistema de transferência de dinheiro uma concorrência desleal por dar tratamento desvantajoso, especialmente, as empresas de cartão de crédito

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O que começou como um sistema de transferência de dinheiro se tornou motivo de orgulho para o Brasil. Em poucos anos, o Pix se consolidou como o principal método de pagamento no país, mas incomoda Donald Trump. 

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Washington acusa o Brasil de "concorrência desleal" por favorecer esse sistema de pagamento estatal e dar tratamento "desvantajoso" aos seus concorrentes americanos, especialmente as empresas de cartão de crédito. 


"A gente não precisa pagar taxa nenhuma pelo Pix. Por banco a gente precisa pagar taxa de cartão de crédito, taxa anual, taxa de banco, taxa daquilo e com o Pix não", disse à AFP Paulo Ricardo Conceição, cujo quiosque de bebidas na Praia de Copacabana exibe o logotipo do sistema. 


Por conta disso e de outras práticas que considera "discriminatórias", o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) impôs uma tarifa de 25% sobre algumas exportações brasileiras. 


Por que o Pix é importante? 


Lançado em 2020, o Pix é o método de pagamento mais popular do país e responde por 54% das transações, segundo seu criador, o Banco Central do Brasil (BCB). 


O Pix "alcançou com sucesso milhões de brasileiros antes excluídos do sistema bancário tradicional", enfatizou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em carta enviada ao USTR. 


O sistema é utilizado por 80% dos brasileiros para transferir tanto o valor de um coco gelado na praia quanto de um apartamento em segundos. 


"Antigamente a gente tinha que andar com dinheiro (...). Agora, com o Pix, você pega só o celular e faz o Pix lá direto. Acho assim que facilitou bastante a vida de todo mundo", disse à AFP Ingrid Ferreira, funcionária pública de 32 anos, em Brasília. 


Por isso, representa um raro ponto de convergência em uma sociedade polarizada. Mais de 90% dos brasileiros têm uma imagem positiva do sistema, segundo pesquisas.


Do que os Estados Unidos reclamam? 


Washington alega que o Banco Central do Brasil, como proprietário e regulador do Pix, cai em um conflito de interesses e coloca as empresas americanas em "desvantagem". 


O BCB exige que os bancos incluam o Pix na página inicial de seus aplicativos e os proíbe de cobrar taxas dos usuários, segundo o governo de Trump. 


"Isso força os provedores americanos a promoverem seu concorrente brasileiro", o que é "injusto", afirmou o USTR. 


Segundo uma fonte do Governo Federal, o descontentamento de Washington vem das empresas de cartão de crédito, cuja participação de mercado caiu de 23% para 15% das transações desde 2020. 


"Grande parte da população brasileira é de serviços informais, que são prestadores de serviços, são pequenos empresários, muitos hoje microempreendedores, e que ficavam muito refém dessas grandes operadoras de cartões de crédito, pagando taxas", explicou à AFP o professor Marco Sanfins, da Universidade Federal Fluminense.


Como o Brasil se defende? 


Brasília rejeita essas acusações e afirma que o Pix expandiu o "ecossistema de pagamentos digitais, beneficiando empresas ligadas aos Estados Unidos", como Google e Visa. 


O número total de usuários de cartão no Brasil aumentou desde 2020, segundo o BCB. 


Segundo Brasília, Washington também considera o Pix e sistemas similares como uma potencial ameaça à supremacia internacional do dólar. 

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Outros países, como Quênia, Nigéria, Índia e Colômbia, desenvolveram sistemas semelhantes.


 


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