Arqueólogos da Universidade de Girona identificaram uma tumba de pedra de 54,5 metros no Saara Ocidental, construída há mais de 4 mil anos. O estudo, divulgado em outubro deste ano na revista "African Archaeological Review" (Revista de Arqueologia Africana), analisou a estrutura erguida ao redor de um único morto. O monumento de Sluguilla Lawash fica à margem de um antigo uádi, perto de um sítio de arte rupestre.

A sepultura apresenta uma elevação oval de cerca de 12 metros em uma das extremidades. Desse ponto partem duas longas fileiras de placas de pedra calcária local, conhecidas como antenas, que seguem em direção ao leste sem se cruzar. Os construtores ergueram o espaço sem usar argamassa, aproveitando blocos leves o bastante para uma equipe pequena executar a obra.

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Datação pela fração mineral dos ossos

Pesquisadores enfrentavam dificuldades para datar essas pedras porque a ausência de matéria orgânica conservada impedia análises confiáveis. Em 2018, tentativas anteriores fracassaram devido à degradação do colágeno ósseo. Os cientistas recorreram então à bioapatita, a porção mineral do esqueleto, mais resistente ao tempo.

A datação por carbono 14 em duas amostras indicou idades entre 4.100 e 4.417 anos antes do presente, referente ao terceiro milênio antes da nossa era. A análise gerou a primeira datação direta de uma sepultura em todo o Saara Atlântico, estabelecendo uma referência cronológica para a região.

Restos humanos e ornamentos

Sob a estrutura rochosa de Lawash el Telli, a equipe encontrou o esqueleto de um adulto de 25 a 35 anos, idade estimada pelo desgaste dos dentes. O corpo repousava deitado de costas, com a cabeça voltada para o sul e as pernas dobradas para o oeste. A deterioração dos ossos impediu a confirmação do sexo do indivíduo.

Os arqueólogos recolheram apenas quatro contas circulares feitas com casca de ovo de avestruz, utilizadas como adorno pessoal. O monumento encerra uma tradição neolítica de construções de pedra, realizada quando o Saara ainda era verde e alimentava rebanhos e caçadores.

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Centenas de sepulturas com antenas semelhantes ocupam o deserto, frequentemente perto de gravuras rupestres. A razão pela qual essas comunidades erguiam estruturas tão extensas e o objetivo das fileiras apontadas para o sol nascente continuam sem explicação científica. Novas escavações no local devem detalhar o monumento, explorado apenas em parte pelos pesquisadores.


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