A União Soviética transformou um dos maiores lagos interiores da Terra em deserto ao desviar água para irrigar lavouras de algodão. Até meados do século 20, o Mar de Aral cobria cerca de 68 mil quilômetros quadrados e sustentava a atividade pesqueira local. A partir dos anos 1960, a drenagem dos rios Amu Daria e Sir Daria reduziu o fluxo hídrico até a evaporação superar a entrada de água doce.

O processo eliminou mais de 90% da superfície aquática e expôs 60 mil quilômetros quadrados de fundo marinho, formando o deserto de Aralkum. O leito exposto acumulou sais, fertilizantes e pesticidas usados durante décadas na agricultura. Ventos fortes na região produzem tempestades de poeira e sal que transportam partículas para áreas distantes, prejudicando solos, plantações e a qualidade do ar.

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O papel do saxaul na contenção da poeira

Para conter o avanço do deserto, o Uzbequistão cobriu cerca de 1,7 milhão de hectares com saxaul, planta identificada como Haloxylon. O arbusto típico da Ásia Central desenvolve-se sob condições de extrema aridez, solos salinos e escassez de água.

A vegetação cumpre funções essenciais para a proteção da área:

  • as raízes fixam a terra e combatem a erosão;

  • a ramagem dificulta a suspensão das partículas pelo vento;

  • a cobertura reduz as consequências ambientais geradas pelo desaparecimento do mar.

O projeto governamental visa limitar os danos provocados pela perda hídrica, sem a meta de restaurar as dimensões originais do lago.

Técnicas de cultivo e sobrevivência no deserto

O cultivo direto por sementes no solo do antigo leito marinho enfrenta calor acima de 42 °C no verão, escassez de chuva e tempestades de areia. Diante da alta salinidade, a semeadura convencional registrava taxas de sobrevivência entre 20% e 30% nos primeiros anos.

Para elevar o índice de sucesso vegetal, projetos piloto com apoio de fundos ambientais japoneses e pesquisadores da Universidade de Kioto mudaram a estratégia. O plantio direto foi substituído por mudas cultivadas previamente em recipientes de alta qualidade, elevando a taxa de sobrevivência para cerca de 78% em determinados lotes.

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A irrigação inicial exigiu a perfuração de poços de até 500 metros de profundidade. As fontes de água instaladas para alimentar as mudas atraíram aves e mamíferos para áreas que antes estavam desprovidas de fauna.


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