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Desertificação avança em diferentes regiões do planeta e preocupa especialistas pelos impactos sobre água, agricultura e população

O processo de desertificação, transforma solos antes férteis em terrenos áridos, com pouca vegetação, baixa umidade e grande vulnerabilidade à erosão. Saiba mais sobre a situação que preocupa especialistas.

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Em diferentes partes do mundo, vastas áreas produtivas estão perdendo lentamente sua capacidade de sustentar a vida. O processo, conhecido como desertificação, transforma solos antes férteis em terrenos áridos, com pouca vegetação, baixa umidade e grande vulnerabilidade à erosão. Esse fenômeno não se limita a regiões naturalmente secas. Afinal, ele avança em zonas semiáridas e subúmidas, pressionando ecossistemas, comunidades rurais e economias locais.

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A desertificação é tratada por pesquisadores e organismos internacionais como um dos principais desafios ambientais deste século. Assim, o tema ganha relevância diante da combinação entre mudanças climáticas, uso intensivo da terra e pressões econômicas sobre áreas frágeis. Na prática, trata-se de um processo gradual, que pode levar anos ou décadas, mas que se torna visível quando colheitas diminuem, fontes de água rareiam e populações passam a migrar em busca de melhores condições de vida.

O processo, conhecido como desertificação, transforma solos antes férteis em terrenos áridos, com pouca vegetação, baixa umidade e grande vulnerabilidade à erosão – depositphotos.com / kevron2002

O que é desertificação e como o fenômeno se desenvolve?

Desertificação é a degradação do solo em zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas causada por atividades humanas combinadas com variações climáticas. Ou seja, esse processo não significa simplesmente o surgimento de novos desertos, mas a perda de produtividade de terras que antes eram capazes de sustentar agricultura, pecuária ou vegetação nativa. Assim, o solo afetado perde matéria orgânica, estrutura física e capacidade de reter água, tornando-se mais suscetível à erosão pelo vento e pela chuva.

O avanço da desertificação geralmente segue uma sequência. Primeiro ocorre a remoção da cobertura vegetal, seja por desmatamento, queimadas ou sobrepastoreio. Em seguida, o solo exposto passa a sofrer compactação e erosão, reduzindo sua fertilidade. Com menos nutrientes e água disponível, a vegetação volta de forma irregular ou não se recompõe. Por fim, com o tempo a paisagem se torna mais seca, a biodiversidade diminui e o ciclo se retroalimenta, agravando a aridez.

Quais são as principais causas da desertificação?

Especialistas apontam uma combinação de fatores naturais e antrópicos para explicar o avanço da desertificação. Entre os elementos mais citados está o aumento da temperatura média global, associado às mudanças climáticas. Afinal, ondas de calor mais frequentes e secas prolongadas reduzem a disponibilidade de água no solo e pressionam ecossistemas já vulneráveis, facilitando a perda de cobertura vegetal.

Ao mesmo tempo, a ação humana tem peso decisivo. Entre os fatores mais recorrentes estão:

  • Desmatamento: remoção intensa de florestas e vegetação nativa, muitas vezes para abertura de áreas agrícolas ou expansão urbana.
  • Uso inadequado do solo: cultivo contínuo sem rotação de culturas, sem conservação de solo e água, favorece o esgotamento de nutrientes.
  • Práticas agrícolas predatórias: aragem em sentido perpendicular às curvas de nível, uso excessivo de agrotóxicos e ausência de cobertura morta aceleram a degradação.
  • Queimadas recorrentes: fogo utilizado como limpeza de áreas agrícolas ou pastagens destrói a matéria orgânica e empobrece o solo.
  • Sobrepastoreio: concentração de animais acima da capacidade de suporte da área impede a regeneração da vegetação.

Esses elementos, somados, criam um cenário em que o solo perde resiliência. Em períodos de seca, a água infiltra menos, aumenta a escorrência superficial e o vento carrega partículas finas de areia e argila, ampliando a erosão e acelerando a desertificação.

Desertificação, impactos ambientais e sociais: por que preocupa tanto?

A desertificação é considerada um dos motores da perda de biodiversidade em zonas secas. À medida que a vegetação desaparece, animais e plantas adaptados àquele ambiente perdem habitat e alimento. A redução da cobertura vegetal interfere também no ciclo da água, diminuindo a umidade do ar e contribuindo para climas mais secos. Em alguns casos, a poeira levantada por solos degradados afeta a qualidade do ar em áreas distantes.

No campo social e econômico, os impactos são amplos. A diminuição da fertilidade do solo reduz a produtividade agrícola, afetando a segurança alimentar de comunidades inteiras. Famílias rurais passam a enfrentar colheitas menores e rendas mais instáveis. Em situações prolongadas, o fenômeno leva à escassez de água, com poços e reservatórios menos volumosos, pressionando sistemas de abastecimento e irrigação.

Essa combinação de fatores favorece o aumento da pobreza e incentiva migrações populacionais. Moradores de áreas degradadas podem se deslocar para cidades próximas ou outras regiões do país em busca de trabalho e melhores serviços. Em alguns contextos, esse movimento gera tensões adicionais sobre infraestrutura urbana, recursos hídricos e políticas públicas.

Onde a desertificação já é visível no mundo e no Brasil?

Em escala global, regiões como o Sahel, na transição entre o deserto do Saara e áreas mais úmidas da África, são frequentemente citadas como exemplos de avanço da degradação do solo. Países como Níger, Chade e Mali convivem com secas repetidas, pressão demográfica e uso intensivo de recursos naturais. Partes da Ásia Central, da Índia, da China e do oeste dos Estados Unidos também registram áreas em processo de desertificação, com redução de aquíferos e solos salinizados.

No Brasil, o fenômeno aparece sobretudo no Semiárido nordestino. Estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Bahia possuem áreas oficialmente identificadas como suscetíveis à desertificação. Nessas regiões, a combinação de clima seco, histórico de desmatamento da Caatinga, uso intensivo de lenha e carvão vegetal, além de práticas agropecuárias inadequadas, contribui para o desgaste dos solos.

Há também registros de degradação severa no norte de Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha e em partes do Centro-Oeste e do Sul, onde o uso intensivo do solo e a substituição de vegetação nativa por monoculturas extensivas fragilizam a estrutura do terreno. Embora nem toda degradação se enquadre tecnicamente como desertificação, muitos desses locais apresentam características típicas de aridização e perda acentuada de produtividade.

A desertificação é considerada um dos motores da perda de biodiversidade em zonas secas – depositphotos.com / xicoputini

Quais iniciativas podem conter o avanço da desertificação?

Governos, organizações internacionais e comunidades locais vêm implementando diferentes estratégias para frear a degradação do solo. Entre as principais iniciativas, destacam-se ações de reflorestamento e recuperação da vegetação nativa, que ajudam a recompor a cobertura verde, reduzir a erosão e aumentar a infiltração de água no solo. Projetos como o plantio de espécies adaptadas ao clima seco, inclusive para uso econômico, têm sido adotados em vários países.

No campo agrícola, ganha espaço a agricultura sustentável. Esse conjunto de práticas inclui:

  1. Uso de sistemas agroflorestais, que combinam árvores, cultivos agrícolas e, em alguns casos, criação animal.
  2. Adoção de plantio direto, mantendo restos vegetais sobre o solo para protegê-lo do impacto da chuva e do sol.
  3. Rotação de culturas e uso de adubação verde, que melhora a fertilidade sem depender apenas de insumos químicos.
  4. Manejo adequado da capacidade de suporte em pastagens, evitando o sobrepastoreio.

Outra frente importante é o manejo hídrico. Técnicas como construção de barraginhas, cisternas, terraços e barragens subterrâneas ajudam a reter água da chuva e aumentar a disponibilidade hídrica em períodos de estiagem. Em escala maior, iniciativas como a chamada Grande Muralha Verde no Sahel e programas de combate à desertificação no Semiárido brasileiro buscam articular políticas públicas, ciência e participação comunitária para recuperar áreas degradadas.

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Organismos internacionais, como a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, atuam na coordenação de metas e apoio técnico a países afetados. A expectativa de especialistas é que, com planejamento de longo prazo, incentivo a práticas produtivas mais eficientes e participação das populações locais, seja possível reduzir o ritmo de avanço da desertificação e proteger as áreas ainda férteis em diferentes regiões do planeta.

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