INTERNACIONAL

Aprendiz de confeitaria com deficiência enfrenta críticas de clientes, mas patrão sai em sua defesa e uma onda de apoio muda como ela se sente no trabalho

Após garota de 16 anos receber críticas na padaria, chefe faz desabafo inspirador sobre inclusão e conquista o carinho de milhares de pessoas

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A padaria Au Fournil d’Isbergues, situada no norte da França, contratou recentemente a jovem Eïlys, de 16 anos, como nova aprendiz. A adolescente tem deficiência reconhecida pela Maison départementale des personnes handicapées (MDPH), o departamento de pessoas com deficiência do país, e recebe acompanhamento na sua inserção profissional. Quando era mais nova, ela enfrentava dificuldades escolares, até receber o diagnóstico no 5º ano escolar de uma condição difícil de detectar.

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No trabalho diário, Eïlys lida com problemas de memória e de concentração. Ela apresenta obstáculos específicos para contar o troco e entender imediatamente os pedidos dos clientes no balcão.

Reações dos clientes e postura da gerência

Essas limitações provocaram reclamações de frequentadores do estabelecimento. Quentin Ballards, gerente da padaria, relatou que uma cliente se queixou da aprendiz poucas semanas após o início das atividades. Segundo o relato, a consumidora afirmou que a jovem não entendia nada e demorava no atendimento. Outros clientes também criticaram o serviço em momentos de espera longa.

Diante das cobranças, Ballards defendeu publicamente a funcionária, repetindo o exemplo de outro padeiro que lutou pela permanência de um aprendiz ameaçado de expulsão na França. O responsável pelo comércio publicou uma mensagem no Facebook em 20 de outubro: "infelizmente, vivemos em um mundo onde as pessoas às vezes criticam rápido demais, sem necessariamente conhecer as pessoas, sua história ou as dificuldades que elas podem encontrar".

O gerente pontuou a fase de formação da adolescente: "ela tem apenas 16 anos. Está em aprendizagem, descobre o mundo do trabalho e aprende a cada dia uma profissão que exige muitas competências. Como todo mundo, tem facilidades, mas também dificuldades. Precisa de tempo, acompanhamento e benevolência para progredir".

Apoio nas redes e conscientização

A publicação alcançou repercussão imediata, somando mais de 50 mil reações e 3 mil comentários solidários na plataforma social. A onda de apoio gerou reflexos práticos na rotina profissional da jovem.

Eïlys relatou o impacto positivo das mensagens: "sinto-me mais confiante desde a publicação. Quando tem muita gente, fico um pouco estressada, mas dizia a mim mesma que precisava apenas ser paciente".

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Os pais da aprendiz buscam aproveitar o alcance do relato para reforçar a inclusão e defender a necessidade de "dar uma chance a eles". A consideração da deficiência no ambiente profissional também marcou o caso de um trabalhador demitido após uma ofensa verbal, no qual a Justiça reconheceu a condição de saúde como a verdadeira causa do desligamento.


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