Obras de metrô abrem uma janela inesperada para o passado: escavações revelam túmulos dos séculos II a IV com restos de mais de mil pessoas da época romana
Escavações históricas surpreendem a Espanha ao revelar quase mil túmulos intactos; achados raros vão integrar um novo espaço cultural na cidade
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As obras de extensão do metrô de Málaga em direção ao hospital Civil e ao futuro Novo Hospital revelaram uma necrópole romana com cerca de 400 metros de extensão. O achado ocorreu durante escavações arqueológicas na rua Hilera, em frente ao segundo edifício do El Corte Inglés, entre os pontos quilométricos 0,094 e 0,500.
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Pesquisadores documentaram 984 complexos funerários com mais de mil indivíduos, segundo a Consejería de Fomento da Junta de Andaluzia. O local é uma das áreas funerárias mais extensas e preservadas da Espanha. Os corpos foram sepultados em covas abertas em solos de argila avermelhada, cobertos posteriormente por hortas islâmicas e modernas.
Datado entre os séculos 2 e 4 d.C., o cemitério reúne recintos voltados para uma provável rota costeira de saída da cidade. A descoberta altera o entendimento sobre a topografia antiga de Málaga, pois a área da rua Hilera era considerada um terreno aterrado sobre o mar apenas no período islâmico.
Variedade de sepulturas e peças históricas
O trabalho arqueológico identificou sepulturas reutilizadas com frequência e acompanhadas por poucos pertences funerários. Entre as estruturas documentadas estão:
molduras com telhas (tégulas) e tégulas de duas águas;
estruturas funerárias do tipo mensas e cistas;
fossas simples;
ânforas usadas para sepultamento de recém-nascidos.
Muitas moedas de diferentes origens também foram recolhidas, o que confirma o passado portuário da cidade. Arqueólogos e antropólogos analisam os esqueletos, que seguirão para os depósitos do Museu de Málaga após inventário. Os itens mais singulares irão para um espaço de exibição projetado junto ao túnel da estação de Guadalmedina, sob a avenida de Andaluzia.
Esse novo local expositivo já reúne vestígios do bairro árabe de Attabanim, trechos de vias cristãs e parte de uma muralha nasárida. As sepulturas apareceram em até três níveis de profundidade, e um exemplar de cada modelo integrará o acervo.
Impacto no cronograma das escavações
O avanço das pesquisas permitiu encurtar a extensão escavada de 406 metros para 250 metros lineares, liberando o terreno para a concretagem da laje do túnel subterrâneo. A conclusão desta fase arqueológica passou de novembro para os primeiros meses de 2027.
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O conselheiro de Fomento, Mario Muñoz-Atanet, explicou ao jornal "SUR" que a execução escalonada dos trechos garante a entrega final da linha, apesar da alteração do projeto. A definição sobre quem vai gerenciar o futuro museu depende de diálogo entre a pasta de Cultura e a Prefeitura de Málaga, que avalia assumir a exploração do espaço.