Após 22 anos de obras, destino dos resíduos nucleares ganha capítulo histórico na Finlândia, mas uma pergunta sobre o depósito definitivo segue sem resposta
Projeto histórico de engenharia vai isolar material radioativo a centenas de metros no subsolo por mais de 100 mil anos com máxima segurança
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O governo finlandês concedeu autorização de operação para o primeiro local de armazenamento definitivo de combustível nuclear usado do mundo. A confirmação ocorreu 22 anos após o início da construção da estrutura, conforme anunciou na quinta-feira a empresa responsável pela administração do projeto, a Posiva.
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A instalação subterrânea foi escavada em uma rocha estável de 1,9 bilhão de anos em Eurajoki, no sudoeste da Finlândia. O espaço abrigará resíduos em cavidades perfuradas na rocha, onde o material permanecerá radioativo e perigoso durante dezenas de milhares de anos.
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O diretor-geral da Posiva, Ilkka Poikolainen, celebrou o avanço em comunicado: "é um grande dia histórico para a Posiva como para a Finlândia".
Operação e capacidade de armazenamento
O complexo recebeu o nome de Onkalo, termo que significa caverna em finlandês. O local deve entrar em serviço em breve, embora nenhuma data exata tenha sido definida. A Posiva indicou: "nenhum calendário detalhado é dado nesta fase sobre a entrada em serviço".
Antes de iniciar o depósito permanente, a empresa realizará a fase de comissionamento com ensaios e inspeções. Essas etapas precisam de verificação e aprovação da STUK, a Autoridade de Segurança Radiológica e Nuclear da Finlândia.
Com capacidade para 6.500 toneladas de urânio, Onkalo receberá o combustível usado dos cinco reatores nucleares da Finlândia. O isolamento do material envolve etapas técnicas rigorosas:
Encerramento do combustível em recipientes de cobre altamente resistentes à corrosão.
Descida dos recipientes em poços perfurados em túneis.
Preenchimento das cavidades com argila bentonítica.
Vedação dos poços com tampão de concreto armado.
O combustível continuará altamente radioativo ao longo de dezenas de milhares de anos. A Posiva calcula que, após cerca de 100 mil anos, o índice de radiação ficará comparável ao do próprio minério de urânio que deu origem ao composto.
Pioneirismo na gestão de resíduos
Desde a montagem das primeiras usinas nucleares nos anos 1950, países geradores de energia atômica procuram soluções definitivas para o lixo radioativo perigoso. Atualmente, a maior parte desses rejeitos permanece em instalações provisórias.
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Outros depósitos definitivos seguem em construção na Suécia e na França, mas a Finlândia deve se tornar o primeiro país a colocar seu centro subterrâneo em atividade. O custo do projeto Onkalo alcança o valor estimado de 1,16 bilhão de dólares.