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Nova York tem áreas com afundamento de até 600 mm: para entender o fenômeno, é preciso olhar para o peso dos edifícios e o solo que existe sob as construções

Pesquisa publicada na Earth’s Future detalha riscos geológicos e rebaixamento do terreno; entenda como as fundações influenciam na estabilidade urbana

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Um estudo publicado na revista "Earth’s Future" calculou o impacto do peso das construções sobre o solo de Nova York. A pesquisa utilizou um modelo numérico que indicou um rebaixamento estimado entre 0 e 600 milímetros, variação calculada segundo o tipo de terreno e a estrutura das fundações.

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O cálculo de 760 bilhões de quilos

A iniciativa surgiu com Tom Parsons, geofísico do USGS, o serviço geológico americano, durante uma viagem à Bélgica relatada pela "Live Science". Em conjunto com Pei-Chin Wu, Meng Wei e Steven D’Hondt, da Universidade de Rhode Island, o cientista calculou a massa de 1.084.954 edifícios na cidade.

A equipe avaliou dados de altura e área ocupada das edificações. O peso acumulado atingiu cerca de 760 bilhões de quilos, o equivalente a 1,68 trilhão de libras, distribuídos em 778 quilômetros quadrados pelos cinco distritos.

Para uma população superior a 8 milhões de pessoas, a estimativa equivale a cerca de 90 toneladas de edificações por morador. A análise considerou somente os prédios e seus conteúdos internos, deixando de fora pontes, calçadas, rodovias e ferrovias.

Argila e aterros artificiais

Os pesquisadores aplicaram as cargas em uma malha de blocos de 100 por 100 metros. O modelo apontou que solos com alta concentração de argila e áreas de aterro artificial sofrem o maior assentamento, superando os terrenos mais elásticos.

Segundo Parsons, nenhuma edificação escapa dessa resposta, inclusive as erguidas sobre rochas. O teto de 600 milímetros representa o cenário mais extremo autorizado pelo modelo matemático para condições específicas, sem registros de confirmação por medições de campo.

Medições de satélite e riscos costeiros

Dados de radar por satélite e registros de GPS mostram que a metrópole desce, em média, de 1 a 2 milímetros ao ano. No sul de Manhattan, a taxa observada por GPS atinge cerca de 2,1 milímetros anuais, valor associado ao ajuste da crosta desde a última glaciação.

A velocidade de rebaixamento supera a média em pontos específicos. Os pesquisadores associam essa aceleração à consolidação de sedimentos moles e aterros, somada a múltiplos fatores possíveis, como a extração de água subterrânea.

O oceano sobe na região entre 1 e 2 milímetros por ano. Perder um milímetro de elevação do solo significa antecipar em um ano o avanço marítimo, elevando a vulnerabilidade a inundações para mais de 8 milhões de residentes costeiros.

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O USGS aponta que medidas de mitigação podem se tornar necessárias em novos arranha-céus. Os autores destacam o cenário nova-iorquino como representativo para áreas litorâneas em expansão, lembrando trabalho anterior de Parsons sobre San Francisco e seus 7,75 milhões de habitantes.


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