Margaret Hamilton morre aos 90 anos: a mulher que levou o homem à Lua
Pioneira da engenharia de software da Nasa evitou tragédia no pouso da Apollo 11 e marcou a história da tecnologia mundial com seu legado brilhante
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O Instituto de Tecnologia de Massachusetts confirmou, nesta quinta-feira (8/10), a morte da pesquisadora Margaret Hamilton aos 90 anos. A cientista morreu no dia 30 de setembro, segundo publicação do departamento de aeronáutica e astronáutica da instituição. A causa da morte não foi divulgada.
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Durante o período no instituto, entre 1959 e meados dos anos 1970, Hamilton gerenciou a Divisão de Engenharia de Software do Laboratório de Instrumentação da entidade, área que conquistou um contrato com a Nasa, a Agência Espacial dos Estados Unidos, em 1961. Ela liderou uma equipe de 100 engenheiros responsáveis por desenvolver o sistema de navegação das missões Apollo rumo à Lua.
Pioneira no setor, Hamilton popularizou o termo engenharia de software e ajudou a estabelecer a área como prática profissional. Em 2016, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade das mãos do presidente Barack Obama em reconhecimento às suas contribuições para a ciência e as viagens espaciais.
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Prevenção de erros em missões espaciais
Nascida em Paoli, no estado de Indiana, em 1936, a matemática estudou na Universidade de Michigan e se formou pelo Earlham College. Ela ingressou na equipe do instituto na época em que o marido estudava Direito em Harvard.
Ao criar softwares essenciais para módulos de comando e pouso lunar, Hamilton aumentou a resistência do sistema contra acidentes. Um mecanismo marcante criado por ela foi batizado de "o erro de Lauren", em referência à filha de 4 anos que causou uma pane ao mexer em um simulador da nave.
A cientista inseriu travas no sistema para impedir erros semelhantes de tripulantes no espaço. A intervenção evitou problemas na histórica missão Apollo 11, em 1969, quando o programa ignorou um comando inadequado de transferência de processamento para o radar apenas três minutos antes do pouso lunar, garantindo a continuidade do voo.
Reconhecimento da trajetória técnica
Mais tarde, o Laboratório de Instrumentação deu origem ao Draper Laboratory. Hamilton fundou a própria empresa, mas o diretor executivo do Draper, Jerry Wohletz, declarou que o trabalho da engenheira ajudou os astronautas a pousar e retornar em segurança para a Terra.
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Em 2003, a Nasa concedeu a Hamilton o prêmio Exceptional Space Act Award. O tecnólogo Paul Curto, responsável pela indicação ao prêmio, afirmou, na época, que as criações da cientista se tornaram referências essenciais: conceitos de software assíncrono, agendamento prioritário, testes de ponta a ponta e recursos de decisão técnica viraram alicerces para a programação de alta confiabilidade.