Nos Estados Unidos, morar entre os mortos é uma realidade, com cada vez mais residências instaladas dentro de cemitérios. Mas, ao contrário do que possa parecer, os novos residentes relatam que os arredores são surpreendentemente inspiradores.
Ao NY Times, a artista culinária Leah Guadagnoli descreveu que acordar com a vista de fileiras de lápides é um lembrete para “viver este dia plenamente”. Ela, o noivo e um gato de estimação moram em uma antiga igreja do século 19, ao lado do local de descanso eterno de 170 pessoas.
Leia Mais
-
Mais de 100 mil corpos de escravizados são encontrados em Salvador
-
‘Ninja do telhado’: mulher é encontrada morando dentro de placa de loja
Guadagnoli já organizou banquetes no local, que é mantido por familiares dos falecidos, e até planeja se casar ali.
Já a psicóloga Sarah Gundle diz ter encontrado “calma e paz” em uma antiga igreja no oeste de Nova Jersey, localizada em um cemitério. As lápides desgastadas a inspiram compaixão por “todas as coisas quebradas”, incluindo a si mesma.
Gundle afirma que, embora hesitasse em abordar os enlutados na propriedade, descobriu que “na maioria das vezes, eles querem conversar”. Ela e a família adicionaram ao local bosques de pinheiros, canteiros de flores e casas de fadas artesanais.
Em Bellefonte, a professora Kat Momenzadeh e o marido, Ed Choma, compraram um edifício do século 19 que servia como portão de um cemitério. O local já funcionou como uma atração de casa mal-assombrada e foi classificado por meios de comunicação como “a casa mais assustadora da América”, recebendo uma reforma de US$ 150 mil (R$ 770 mil).
Fora dos EUA
Morar em um cemitério pode até gerar empreendimentos. Em Londres, na Inglaterra, Nicholas Horowitz e a esposa, Sophia Tran-Thomson, vivem em uma antiga construção gótica na entrada do Cemitério Paddington Old. Ali, Horowitz cuida de seis colmeias produtoras de mel.
Segundo Horowitz, a casa tem uma “calma de estilo monástico”, como se “a cidade desaparecesse”. O casal também aproveita uma vantagem única do local: “você não tem vizinhos para reclamar do barulho”. Entre as celebridades enterradas ali está Michael Bond, o criador do Urso Paddington.
Leia Mais
A prática de habitar cemitérios tem um longo histórico. Allison C. Meier, escritora especialista em rituais funerários, aponta que os mausoléus da Era Dourada eram mobiliados como extensões das casas das pessoas.
A oferta dessas residências aumenta à medida que entidades religiosas e seculares vendem suas instalações. Além disso, fora do Brasil, mais pessoas estão retomando o costume de enterrar entes queridos em suas próprias propriedades, cujos túmulos podem surpreender futuros compradores.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
No Brasil, a prática é completamente proibida. A Lei Federal nº 6.015/1973 determina que nenhum sepultamento será feito sem a respectiva certidão de óbito emitida pelo Oficial de Registro Civil. Os cemitérios oficiais e licenciados são os únicos autorizados a receber a "guia de sepultamento" exigida por lei. Ou seja, os corpos humanos só podem ser sepultados em cemitérios públicos ou privados devidamente licenciados e regularizados.
