MAR VERMELHO

Crise no Mar Vermelho: rebeldes hutis rompem cessar-fogo e bloqueiam rota vital

Queda de tráfego no Canal de Suez atinge 50% após escalada militar; avanço territorial no Iêmen acende alerta para novo conflito regional com Irã

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A intensificação dos ataques com drones e mísseis de baixo custo pelos rebeldes hutis do Iêmen redesenhou as táticas de guerra no Mar Vermelho desde 2024, e a situação está longe de se estabilizar. Em julho de 2026, o cessar-fogo de 2022 entre os houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita foi rompido, após um incidente envolvendo uma aeronave iraniana que transportava lideranças houthis de volta do funeral do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

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Desde então, o grupo declarou um bloqueio marítimo contra navios sauditas, atacou petroleiros e uma base aérea saudita, e avançou territorialmente no Iêmen, capturando ilhas estratégicas no Mar Vermelho, uma escalada que analistas já tratam como parte de um conflito regional mais amplo envolvendo o próprio Irã.

A ameaça segue pesando sobre uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Segundo dados do FMI analisados pela AFP, o tráfego pelo Canal de Suez seguia, até agosto de 2026, em pouco mais da metade do nível registrado antes da crise, evidenciando que a instabilidade no Mar Vermelho está longe de ser um capítulo encerrado.

A utilização de tecnologia militar acessível permitiu que o grupo desafiasse forças navais convencionais e navios mercantes com um custo relativamente baixo. Essa dinâmica de conflito assimétrico colocou em xeque a segurança do transporte marítimo e pressionou os preços de commodities essenciais, como o petróleo.

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Quem são os rebeldes hutis?

Os hutis, também conhecidos como Ansar Allah, são um grupo armado xiita que controla uma parte significativa do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa. Eles se tornaram uma força política e militar proeminente no contexto da guerra civil iemenita, que começou em 2014.

O grupo faz parte de um conflito regional mais amplo, opondo-se à coalizão liderada pela Arábia Saudita. Sua capacidade de obter e adaptar tecnologias de mísseis e drones transformou sua atuação, expandindo seu alcance para além das fronteiras do Iêmen.

Qual foi a motivação dos ataques?

Inicialmente, os rebeldes afirmaram que os ataques eram uma demonstração de apoio aos palestinos no conflito com Israel. Os alvos eram navios ligados a interesses israelenses, mas a campanha se expandiu para incluir embarcações de países que apoiavam Israel. Essa estratégia visava pressionar economicamente a comunidade internacional e afirmar a relevância do grupo como um ator regional.

Houve uma pausa significativa nos ataques entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, coincidindo com o cessar-fogo em Gaza. A retomada parcial em 2026 ocorreu em um novo contexto, incluindo tensões regionais mais amplas.

Como funcionam os ataques com drones e mísseis?

A tática huti combina diferentes tipos de armamentos para sobrecarregar os sistemas de defesa dos navios. A tecnologia, muitas vezes de fabricação iraniana ou adaptada localmente, é relativamente barata, mas eficaz. As principais armas utilizadas incluem:

  • Drones de ataque: aeronaves não tripuladas carregadas com explosivos, projetadas para colidir com o alvo. São difíceis de detectar por radares convencionais devido ao seu tamanho e voo em baixa altitude.

  • Mísseis de cruzeiro: projéteis que voam rente à superfície do mar, dificultando a interceptação.

  • Mísseis balísticos antinavio: armas de maior alcance e velocidade, capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância.

Qual foi o impacto global?

No auge da crise, a principal consequência foi o desvio de rotas por parte das maiores empresas de transporte marítimo do mundo. Para evitar a passagem pelo Mar Vermelho, os navios contornaram o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, uma viagem que aumentava o percurso em até duas semanas, elevando drasticamente os custos de frete e seguro. Com a pausa nos ataques no final de 2025, muitas empresas retomaram as rotas normais, embora com cautela.

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A situação em 2026

Em setembro de 2026, a situação está longe de estabilizada. O cessar-fogo de 2022 entre os houthis e a coalizão liderada pela Arábia Saudita foi rompido em julho, após um incidente envolvendo uma aeronave iraniana que transportava lideranças houthis. Desde então, o grupo declarou um bloqueio marítimo contra navios sauditas, atacou petroleiros e uma base aérea saudita, e avançou territorialmente no Iêmen, capturando ilhas estratégicas no Mar Vermelho. O conflito passou a ser tratado por analistas como parte de uma escalada regional mais ampla envolvendo o Irã. O tráfego pelo Canal de Suez seguia, até agosto, em pouco mais da metade do nível anterior à crise, segundo dados do FMI.


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