Terremoto na Colômbia: 'Tudo no meu apartamento se mexia; pela janela, eu via os prédios ao meu redor balançarem de um lado para o outro'
Jornalista e meteorologista Luis Felipe Molina falou com a BBC de Manizales, uma das cidades mais afetadas pelo terremoto de segunda-feira no oeste da Colômbia
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O jornalista e meteorologista Luis Felipe Molina cresceu e viveu a maior parte de sua vida em Manizales, uma das cidades afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que sacudiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10/8).
Embora o epicentro tenha sido o município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, o tremor foi sentido com muita intensidade a cerca de 150 quilômetros dali, na famosa região conhecida como Eixo Cafeeiro, onde fica Manizales, que já enfrentou várias vezes esse tipo de fenômeno natural.
"Eu vivi o terremoto de 25 de janeiro de 1999 quando tinha 6 anos", diz Molina, enquanto explica que, desde então, passou a se interessar por aprender a ciência por trás dos terremotos.
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"Os terremotos nesta região têm uma certa periodicidade. Ocorreram em 1962, 1979 e 1999, mas não voltamos a ter tremores fortes", afirma, acrescentando que "desde 1999 isso não se movia de forma tão assustadora".
Por isso, Manizales tem "um código de resistência sísmica e de construção muito rigoroso, embora obviamente haja quem não cumpra as regras", explica.
Uma prova disso é que o prédio de 17 andares onde Molina mora e que, segundo ele, foi construído de acordo com a regulamentação em vigor, permaneceu de pé apesar da tremenda força que o atingiu na segunda-feira.
"Tudo no meu apartamento se movia. Pela janela eu via os prédios ao redor balançarem de um lado para o outro. Tenho 450 livros e apenas alguns permaneceram de pé. Era possível ouvir vidros se quebrando, gritos."
"Juro a vocês que, se não fosse o código de segurança, esta cidade estaria em ruínas", diz Molina. "Eu nunca tinha visto tanta força."
Molina estava na academia do prédio quando começou a sentir o tremor e decidiu correr para se refugiar em seu apartamento. Quando sentiu que era seguro, saiu para a rua e encontrou a população em pânico.
"Foram momentos de muita incerteza porque não havia energia elétrica, não havia telefone e havia muita gente aglomerada nas ruas com medo dos tremores secundários."
Uma das cidades mais afetadas
O aeroporto e a estrada que liga Manizales à capital, Bogotá, estão fechados.
O prefeito da cidade, Jorge Eduardo Rojas, informou que pelo menos duas pessoas morreram em decorrência do tremor.
Ele acrescentou que "mais de 12 edifícios" e "mais de 20 residências" ficaram total ou parcialmente destruídos, e relatou vazamentos de gás e danos na rede elétrica.
Segundo Rojas, a cidade mobilizou toda a sua capacidade de resposta, mas "não estamos conseguindo dar conta".
Ele classificou a situação como "muito trágica e muito difícil" para a cidade.
Uma das imagens do terremoto que mais causaram impacto é a da Catedral de Nossa Senhora do Rosário de Manizales, com uma de suas torres visivelmente afetada, embora ela não tenha desabado.
"Ela foi construída na década de 1930, é o nosso símbolo e, em um terremoto ocorrido em 1962, uma de suas torres já havia caído. Desta vez, a torre Nordeste foi afetada", explicou Molina.
Embora "a catedral seja muito antiga e não tenha resistência sísmica, ela permaneceu de pé".
"Imagino que esta noite será passada em claro para muitos de nós, porque não conseguiremos dormir pensando em um tremor secundário", disse o jornalista à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC) em uma chamada de vídeo de seu apartamento.
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