América do Sul

Por que a Colômbia teve um terremoto tão forte? Sismólogo explica

Terremoto deixou mais de 100 mortos. Especialista explica relação do tremor com a movimentação da placa de Nazca e descarta ligação com os terremotos da Venezuela

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O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10/8) ocorreu em uma das regiões de maior atividade sísmica do mundo. O tremor teve epicentro próximo a San José del Palmar, no estado de Chocó, e ocorreu a cerca de 100 km de profundidade. O número de mortos passou de 100, segundo as autoridades colombianas.

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A forte atividade sísmica na região está relacionada à movimentação das placas tectônicas. A Colômbia fica próxima ao encontro entre as placas de Nazca e Sul-Americana. Mais densa, a placa de Nazca, localizada no oceano Pacífico, mergulha sob a placa continental em um processo conhecido como subducção.

Segundo Bruno Collaço, sismólogo da Universidade de São Paulo (USP) e da Rede Sismográfica Brasileira, ambientes de subducção estão entre os que podem produzir os terremotos de maior magnitude do planeta. “São exatamente os ambientes tectônicos como esse que geram os sismos de maiores magnitudes já registradas no mundo”, explica ao Correio. O especialista cita como exemplo o terremoto de magnitude 9,5 registrado no Chile em 1960, considerado o maior já registrado.

No caso do tremor desta segunda-feira, a falha que se rompeu estava dentro da própria placa de Nazca. A profundidade também contribuiu para que o terremoto fosse sentido em uma área extensa. De acordo com Collaço, tremores nessa profundidade podem afetar uma região de pouco mais de 400 quilômetros de raio.

Terremoto na Colômbia teve relação com os da Venezuela?

A ocorrência de terremotos de grande magnitude em países vizinhos pode levantar dúvidas sobre uma possível conexão entre os eventos. No entanto, segundo Collaço, o terremoto desta segunda-feira na Colômbia não tem relação direta com os tremores registrados na Venezuela em junho.

Embora os dois países estejam em uma região de intensa atividade tectônica, os eventos têm origens distintas. Na Colômbia, o terremoto está relacionado ao processo de subducção da placa de Nazca sob a Sul-Americana. Já na Venezuela, os tremores estão principalmente ligados à interação entre as placas Sul-Americana e do Caribe.

“Seria incorreto estabelecer uma relação direta apenas pela proximidade geográfica”, afirma o sismólogo

O que esperar para os próximos dias?

Após um terremoto de grande magnitude, é esperado que ocorram novas movimentações. As chamadas réplicas podem ser registradas durante dias ou semanas e, em casos mais raros, até meses depois do tremor principal. Uma réplica de magnitude 5,0 já foi registrada na região.

Collaço afirma que um terremoto dessa magnitude pode alterar a tensão em falhas próximas, mas considera pouco provável que isso provoque outro grande terremoto. Segundo ele, uma avaliação desse tipo depende da análise de uma grande quantidade de dados e de estudos posteriores ao evento.

Brasil oferece apoio à Colômbia

O governo brasileiro manifestou solidariedade ao povo e ao governo colombianos pelas perdas provocadas pelo terremoto. Em nota, o Itamaraty afirmou acompanhar os esforços de busca e assistência às populações afetadas e declarou disposição para colaborar com as autoridades colombianas.

Até o momento, não foram identificados brasileiros entre as vítimas, informou o Ministério das Relações Exteriores.

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Brasileiros em situação de emergência na Colômbia podem procurar o plantão consular da Embaixada do Brasil em Bogotá pelo telefone +57 3108096169. O plantão consular em Brasília atende pelo +55 (61) 98260-0610.

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