Nicarágua sem eleições: como Daniel Ortega se tornou um ditador
O anúncio do fim do processo eleitoral é o ápice de um projeto de poder que dura décadas; relembre a trajetória do líder e a repressão a opositores
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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou no último domingo (19/7) o fim do processo eleitoral no país durante as comemorações dos 47 anos da Revolução Sandinista, em um movimento que consolida seu regime autoritário e visa impedir a ascensão de qualquer oposição ao poder. A medida representa o ápice de um projeto de perpetuação no governo que já dura quase duas décadas, transformando a nação centro-americana em uma ditadura de partido único.
A decisão foi comunicada como uma forma de garantir a estabilidade e evitar interferências externas, mas na prática elimina o principal mecanismo democrático. Com o controle total sobre as instituições, Ortega governa ao lado de sua esposa e copresidente, Rosario Murillo. Em 2025, uma reforma constitucional elevou Murillo ao cargo e estendeu o mandato presidencial para seis anos, consolidando ainda mais o controle do casal sobre o Estado e descartando as eleições que estariam previstas para 2027.
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Como Daniel Ortega se perpetua no poder?
A estratégia de Daniel Ortega para se manter no governo se baseia em três pilares: alterações constitucionais que permitem reeleições indefinidas, o controle absoluto do poder judiciário e do conselho eleitoral, e uma intensa repressão contra qualquer voz dissidente, incluindo políticos, jornalistas e ativistas.
Quem é Daniel Ortega?
Aos 80 anos, Daniel Ortega não é uma figura nova na política nicaraguense. Ele emergiu como um dos líderes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), guerrilha que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza em 1979. Após a revolução, coordenou a junta de governo e foi eleito presidente pela primeira vez em 1985, governando até 1990, quando foi derrotado nas urnas.
Após anos na oposição, Ortega retornou à presidência em 2007 com um discurso mais moderado. Antes disso, havia sido eleito presidente pela primeira vez em 1984, tomando posse em janeiro de 1985 e governando até 1990, quando foi derrotado nas urnas. No entanto, uma vez de volta ao poder em 2007, iniciou um processo gradual de desmantelamento das instituições democráticas. Ele promoveu reformas na Constituição para permitir sua reeleição contínua e aparelhou o sistema judiciário para garantir decisões favoráveis a seu governo, silenciando críticos e eliminando adversários políticos.
Quais são as principais táticas de repressão?
Perseguição judicial: criação de leis para acusar opositores de traição, terrorismo ou lavagem de dinheiro, resultando em prisões arbitrárias e exílios forçados.
Controle da mídia: fechamento de jornais, emissoras de rádio e canais de televisão independentes, além da perseguição e prisão de jornalistas críticos ao governo.
Repressão a protestos: uso de forças policiais e grupos paramilitares para reprimir violentamente manifestações populares, como as que ocorreram em 2018, que resultaram em centenas de mortes.
Desmantelamento da sociedade civil: expropriação de bens e cancelamento do registro de mais de 5.600 organizações não governamentais (ONGs), universidades e outras entidades consideradas uma ameaça ao regime.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.