Donald Trump voltou a ameaçar o Irã na Truth Social - (crédito: Alex Brandon/Pool/AFP)
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O Irã sofreu novos ataques nesta terça-feira (7), que deixaram 18 mortos, poucas horas antes do fim do ultimato anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça destruir instalações civis do país se um acordo não for alcançado para a reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o abastecimento mundial de petróleo.
No 39º dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que provocou o conflito no Oriente Médio, os iranianos oscilam entre o medo e uma relativa indiferença diante das ameaças do presidente americano.
"Estou aterrorizada e todo mundo neste país deveria estar também", disse à AFP Metanat, uma estudante de 27 anos que afirma ter perdido uma colega de turma em um ataque.
"Alguns ironizam Trump e suas ameaças, mas isto é uma guerra e não tem nada de engraçado", acrescenta.
Morteza Hamidi, um aposentado de 62 anos, expressa "tristeza e pessimismo com o futuro do Irã", mas minimiza o novo ultimato que expira nesta terça-feira às 20h00 de Washington (21h00 de Brasília). "Ele mudou as datas tantas vezes que já estamos insensíveis às ameaças", afirma.
Trump advertiu na segunda-feira que "todo o país poderia ser eliminado em uma única noite" e afirmou que está disposto a atacar as usinas elétricas e as pontes do Irã caso a República Islâmica não libere o tráfego em Ormuz.
Antes da guerra, quase 20% do petróleo mundial trafegava por esta via marítima. O fechamento do estreito provocou a disparada dos preços do petróleo. Nesta terça-feira, o barril do Brent do Mar do Norte para entrega em junho era negociado a 108,17 dólares, enquanto o barril de WTI para maio tinha cotação de 111,78 dólares.
O Exército iraniano criticou a "retórica arrogante" de Trump e afirmou que as declarações do americano "não têm efeito" sobre suas operações.
Essa vocação para a conexão cultural ajudou a moldar uma identidade complexa e resiliente, capaz de atravessar invasões, mudanças dinásticas e transformações religiosas.
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Essa vocação para a conexão cultural ajudou a moldar uma identidade complexa e resiliente, capaz de atravessar invasões, mudanças dinásticas e transformações religiosas.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A história persa também se entrelaça com civilizações vizinhas, como Grécia, Egito e Índia, evidenciando um intercâmbio constante de ideias, técnicas e crenças.
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A história persa também se entrelaça com civilizações vizinhas, como Grécia, Egito e Índia, evidenciando um intercâmbio constante de ideias, técnicas e crenças.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Outro traço marcante é a culinária, conhecida pelo uso de ervas frescas, arroz aromático e combinações de sabores doces e ácidos, elementos que revelam a posição estratégica da Pérsia nas antigas rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente.
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Outro traço marcante é a culinária, conhecida pelo uso de ervas frescas, arroz aromático e combinações de sabores doces e ácidos, elementos que revelam a posição estratégica da Pérsia nas antigas rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente.
Maksim./Wikimedia Commons
Entre curiosidades culturais, está a importância do Nowruz, o ano-novo persa, celebrado no equinócio da primavera. A festividade tem raízes anteriores ao islamismo e continua sendo comemorada por milhões de pessoas dentro e fora do Irã, simbolizando renovação e continuidade histórica.
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Entre curiosidades culturais, está a importância do Nowruz, o ano-novo persa, celebrado no equinócio da primavera. A festividade tem raízes anteriores ao islamismo e continua sendo comemorada por milhões de pessoas dentro e fora do Irã, simbolizando renovação e continuidade histórica.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A arte persa também se destacou na tapeçaria, na miniatura e na arquitetura, com mesquitas adornadas por azulejos geométricos e caligrafias elaboradas que refletem uma sofisticada estética visual.
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A arte persa também se destacou na tapeçaria, na miniatura e na arquitetura, com mesquitas adornadas por azulejos geométricos e caligrafias elaboradas que refletem uma sofisticada estética visual.
Reprodução do X @RugsabudhabiC
Culturalmente, a Pérsia deixou um legado vasto. A tradição literária persa produziu poetas como Ferdowsi, autor do épico “Shahnameh”, que resgatou mitos e feitos heroicos do passado pré-islâmico, ajudando a preservar a memória histórica nacional. A poesia mística floresceu séculos depois, projetando nomes como Rumi e Hafez, cuja obra ainda hoje é lida e celebrada.
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Culturalmente, a Pérsia deixou um legado vasto. A tradição literária persa produziu poetas como Ferdowsi, autor do épico “Shahnameh”, que resgatou mitos e feitos heroicos do passado pré-islâmico, ajudando a preservar a memória histórica nacional. A poesia mística floresceu séculos depois, projetando nomes como Rumi e Hafez, cuja obra ainda hoje é lida e celebrada.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Mesmo com a islamização progressiva, muitos elementos culturais anteriores sobreviveram e foram incorporados à nova realidade religiosa. A língua persa, por exemplo, permaneceu como importante veículo literário e administrativo, atravessando séculos e influenciando áreas que hoje correspondem ao Afeganistão, ao Tajiquistão e a partes do subcontinente indiano.
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Mesmo com a islamização progressiva, muitos elementos culturais anteriores sobreviveram e foram incorporados à nova realidade religiosa. A língua persa, por exemplo, permaneceu como importante veículo literário e administrativo, atravessando séculos e influenciando áreas que hoje correspondem ao Afeganistão, ao Tajiquistão e a partes do subcontinente indiano.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Após a queda dos aquemênidas, a região foi governada por diferentes dinastias, como os partas e, posteriormente, os sassânidas, que restauraram parte do orgulho e da identidade persa antes da conquista árabe no século 7.
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Após a queda dos aquemênidas, a região foi governada por diferentes dinastias, como os partas e, posteriormente, os sassânidas, que restauraram parte do orgulho e da identidade persa antes da conquista árabe no século 7.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
As esculturas retratam essa diversidade étnica e cultural, evidenciando a extensão territorial persa. Em 330 a.C., Persépolis foi saqueada e incendiada pelas tropas de Alexandre, o Grande, evento que marcou o declínio do domínio aquemênida.
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As esculturas retratam essa diversidade étnica e cultural, evidenciando a extensão territorial persa. Em 330 a.C., Persépolis foi saqueada e incendiada pelas tropas de Alexandre, o Grande, evento que marcou o declínio do domínio aquemênida.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A capital cerimonial do império, Persépolis, simbolizava o esplendor aquemênida. Erguida com colunas monumentais e relevos detalhados, a cidade recebia delegações de diferentes povos submetidos ao império, que levavam tributos ao soberano.
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A capital cerimonial do império, Persépolis, simbolizava o esplendor aquemênida. Erguida com colunas monumentais e relevos detalhados, a cidade recebia delegações de diferentes povos submetidos ao império, que levavam tributos ao soberano.
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Seu sucessor, Xerxes I, ficou conhecido pelas campanhas militares contra as cidades-estado gregas, conflitos eternizados por cronistas da Grécia antiga, como a Batalha das Termópilas, e que ajudaram a moldar a narrativa ocidental sobre os persas.
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Seu sucessor, Xerxes I, ficou conhecido pelas campanhas militares contra as cidades-estado gregas, conflitos eternizados por cronistas da Grécia antiga, como a Batalha das Termópilas, e que ajudaram a moldar a narrativa ocidental sobre os persas.
- Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Dario investiu em infraestrutura, construindo estradas que ligavam diferentes partes do território e facilitaram tanto o comércio quanto o controle político. Ainda durante seu reinado se consolidou a construção de Persépolis, cidade cerimonial cujas ruínas ainda hoje impressionam arqueólogos e visitantes.
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Dario investiu em infraestrutura, construindo estradas que ligavam diferentes partes do território e facilitaram tanto o comércio quanto o controle político. Ainda durante seu reinado se consolidou a construção de Persépolis, cidade cerimonial cujas ruínas ainda hoje impressionam arqueólogos e visitantes.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
O império atingiu seu auge sob Dario I, que organizou a administração em satrapias, províncias governadas por sátrapas responsáveis pela arrecadação de impostos e manutenção da ordem.
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O império atingiu seu auge sob Dario I, que organizou a administração em satrapias, províncias governadas por sátrapas responsáveis pela arrecadação de impostos e manutenção da ordem.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
O chamado Cilindro de Ciro, artefato descoberto no século 19, é frequentemente citado por historiadores como um dos primeiros registros de medidas de respeito às tradições religiosas e culturais dos povos dominados.
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O chamado Cilindro de Ciro, artefato descoberto no século 19, é frequentemente citado por historiadores como um dos primeiros registros de medidas de respeito às tradições religiosas e culturais dos povos dominados.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
Sob seu comando, os persas conquistaram vastos territórios que iam da Ásia Central ao Mediterrâneo, incorporando regiões da Mesopotâmia, como a Babilônia, da Anatólia e do Levante Esse período ficou marcado não apenas pelas vitórias militares, mas também por uma política relativamente tolerante para os padrões da época.
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Sob seu comando, os persas conquistaram vastos territórios que iam da Ásia Central ao Mediterrâneo, incorporando regiões da Mesopotâmia, como a Babilônia, da Anatólia e do Levante Esse período ficou marcado não apenas pelas vitórias militares, mas também por uma política relativamente tolerante para os padrões da época.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A antiga Pérsia ganhou projeção no século 4 a.C., quando Ciro II, conhecido como Ciro, o Grande, fundou o Império Aquemênida após unificar tribos iranianas e derrotar os medos.
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A antiga Pérsia ganhou projeção no século 4 a.C., quando Ciro II, conhecido como Ciro, o Grande, fundou o Império Aquemênida após unificar tribos iranianas e derrotar os medos.
Reprodução de vídeo BBC NEWS Brasil
A comoção global reacende o interesse por uma nação cuja história ultrapassa em muito os conflitos contemporâneos. Antes de se chamar Irã, um nome adotado oficialmente em 1935, o país era conhecido no Ocidente como Pérsia, berço de um dos mais poderosos e sofisticados impérios da Antiguidade.
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A comoção global reacende o interesse por uma nação cuja história ultrapassa em muito os conflitos contemporâneos. Antes de se chamar Irã, um nome adotado oficialmente em 1935, o país era conhecido no Ocidente como Pérsia, berço de um dos mais poderosos e sofisticados impérios da Antiguidade.
Anton Gutsunaev/wikimédia Commons
O Irã está no centro do noticiário internacional após sofrer ataques de forças dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, agravando ainda mais as tensões no Oriente Médio.
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O Irã está no centro do noticiário internacional após sofrer ataques de forças dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, agravando ainda mais as tensões no Oriente Médio.
Imagem de jorono por Pixabay
Ao menos 18 mortos na região de Teerã
Apesar dos apelos por uma solução diplomática, Irã e Estados Unidos rejeitaram na segunda-feira uma proposta de mediação apresentada por vários países, entre eles o Paquistão.
O embaixador iraniano no Kuwait, Mohamad Tutunji, pediu aos países do Golfo que façam todo o possível para evitar uma "tragédia", em uma declaração à AFP.
Teerã e suas imediações foram sacudidas nas últimas horas por novas explosões e pelo menos 18 pessoas, incluindo duas crianças, morreram em ataques na província de Alborz, vizinha da capital.
"Confirmamos as mortes de 18 de nossos cidadãos, incluindo duas crianças pequenas", informaram as agências de notícias Mizan e Fars.
O Exército israelense anunciou uma "onda" de ataques para "danificar" infraestruturas na capital e em outras regiões. Também pediu aos iranianos que não viajassem de trem até 21h00 no horário local (14h30 de Brasília), o que antecipa ataques contra a rede ferroviária.
Trump disse que não se preocupa com o risco de cometer crimes de guerra ao destruir instalações de uso civil e, segundo ele, o único "crime de guerra" seria permitir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.
Segundo o portal de notícias americano Axios, diversos mediadores, entre eles paquistaneses, apresentaram a proposta de um cessar-fogo de 45 dias.
A agência oficial de notícias Irna afirmou que o Irã rejeitou a oferta e exige "o fim dos conflitos na região, um protocolo para o trânsito seguro pelo Estreito de Ormuz", assim como "a reconstrução e a suspensão das sanções" contra o país.
Segundo o jornal New York Times, o Irã estaria disposto a suspender o bloqueio do Estreito de Ormuz e implementar um pedágio de dois milhões de dólares por navio, que seria dividido com o sultanato de Omã, situado do outro lado da via marítima.
As receitas seriam utilizadas para reconstruir as instalações destruídas pelos ataques israelenses e americanos, em vez de exigir indenizações diretas.
Embora Trump tenha qualificado a proposta de "muito importante", ele disse que ainda é "insuficiente".
O Irã segue atacando diariamente os países do Golfo, acusados por Teerã de ajudar os Estados Unidos.
Na madrugada desta terça-feira, um complexo petroquímico no leste da Arábia Saudita foi atingido por vários ataques, poucas horas após ações similares contra instalações similares no Irã.
O complexo atacado, em Jubail, no leste da Arábia Saudita, abriga um dos maiores polos industriais do mundo, onde são produzidos aço, gasolina, produtos petroquímicos, óleos lubrificantes e fertilizantes químicos.
Paralelamente, na outra grande frente de batalha da guerra, Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah continuam se enfrentando no Líbano. O Exército israelense afirmou nesta terça-feira que concluiu o deslocamento de tropas terrestres ao longo de uma "linha de defesa" no sul do país.