Papa Leão XIV discursa para a multidão da sacada principal da Basílica de São Pedro, proferindo a mensagem - (crédito: AFP PHOTO / VATICAN MEDIA)
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O papa Leão XIV fez um apelo neste domingo (5) para que se "escolha a paz" e denunciou a "indiferença" diante das guerras, em sua primeira mensagem de Páscoa, marcada pelo conflito no Oriente Médio.
Católicos de todo o mundo celebram esta festa que comemora a ressurreição de Jesus Cristo, ofuscada pela guerra desencadeada por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e por suas repercussões regionais, também para os cristãos.
No Vaticano, em uma Praça de São Pedro adornada com milhares de flores e sob sol radiante, Leão XIV celebrou a missa de Páscoa pela primeira vez desde sua eleição em maio de 2025, em um ambiente festivo, acompanhado por trombetas e cantos litúrgicos.
Durante sua tradicional bênção "urbi et orbi" ("à cidade e ao mundo"), o pontífice denunciou a "indiferença" diante da guerra.
"Estamos nos acostumando à violência, nos resignando a ela e nos tornando indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às sequelas do ódio e divisão que semeiam os conflitos", assim como às suas "consequências econômicas e sociais", discursou.
Rompendo com a tradição seguida há anos por seus antecessores, ele não citou nenhum país ou região em crise no mundo.
Também anunciou a celebração de uma vigília de oração pela paz em 11 de abril na Praça de São Pedro.
Do balcão central da Basílica de São Pedro, desejou "Feliz Páscoa" à multidão em dez idiomas, antes que os sinos repicassem.
Ao longo de toda a Semana Santa, a sombra do conflito no Oriente Médio pairou sobre as celebrações. Na noite de sábado, durante a Vigília Pascal, o chefe da Igreja católica denunciou as divisões criadas "pela guerra, pela injustiça, pelo isolamento entre povos e nações".
Nessa data, novos componentes do corpo militar de elite prestam juramento em um pátio interno do Vaticano e são incorporados à Guarda Suíça.
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Anualmente, em 6 de maio, a Guarda Suíça faz uma cerimônia em que presta homenagens aos soldados mortos no Saque de Roma.
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A batalha resultou na morte de mais de 100 homens da Guarda Suíça, mas a coragem dos soldados permitiu que o papa Clemente VII se refugiasse no Castelo de Sant’Angelo, em Roma.
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Um episódio marcante na história da Guarda Suíça foi o chamado Saque de Roma, que ocorreu em 6 de maio de 1527. Nessa data, tropas rebeldes de Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, invadiram Roma tendo como alvo o papado, então comandado por Clemente VII.
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O primeiro núcleo de guardas suíços foi composto por 150 soldados. Tempos depois, eles receberam o título de “Guardiões da Liberdade da Igreja”.
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Os mercenários suíços tinham a reputação de serem muito corajosos. Eles atuavam para países europeus envolvidos em conflitos, como Espanha, França e a própria Itália.
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A nomenclatura deve-se ao fato de mercenários suíços terem sido escalados para compor as forças após sua criação, no século 16.
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No conclave, processo de eleição de um novo papa em que acontece a Sé Vacante (ausência de um papa após morte ou renúncia), é de competência da Guarda Suíça a proteção do Colégio dos Cardeais.
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Os soldados da Guarda Suíça também se posicionam nas entradas do Vaticano e na cidade Castel Gandolfo, na região do Lácio, onde fica a residência de verão do papa.
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Quando lideranças estrangeiras fazem visitas de estado ao Vaticano, a Guarda Suíça desloca uma tropa de honra para essas autoridades (presidentes e primeiros-ministros).
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A segurança pessoal do papa é feita pela Guarda Suíça, inclusive quando o sumo pontífice tem compromissos de estado no exterior.
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Os guardas são investidos em cerimônias de uniformes renascentistas coloridos em azul, vermelho e amarelo.
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Ela foi criada em 1506, no início do período chamado Alta Idade Média, por determinação do papa Júlio II.
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A Guarda Suíça foi criada mais de quatro séculos antes de a Santa Sé obter sua soberania como estado.
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Ela difere da gendarmeria, polícia que atua no Vaticano no serviços de segurança gerais e destinada a fazer com que sejam respeitadas as leis da cidade-estado.
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A cidade-estado possui um corpo armado próprio, como acontece com todas as nações. Essa força chama-se Guarda Suíça e tem a função de proteger o papa e as residências oficiais do líder supremo do catolicismo.
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O Vaticano é também um dos países menos populosos do mundo, com pouco menos de mil habitantes.
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O Tratado de Latrão foi um documento firmado entre o governo da Itália, então chefiado pelo ditador Benito Mussolini, e a Santa Sé durante o pontificado do papa Pio XI.
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Um enclave localizado dentro de Roma, capital da Itália, o Vaticano foi criado pelo Tratado de Latrão, em 1929.
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O Papa é o chefe de estado do Vaticano, o menor país do mundo em dimensões territoriais. A cidade-estado é a sede da Igreja Católica Romana, que atualmente se encontra na chamada Sé Vacante, situação em que seguirá até que um novo pontífice seja eleito pelos cardeais.
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Os papas não são somente os líderes da Igreja Católica mas também exercem a função de chefe de estado e têm um grupo de segurança dedicado a protegê-lo: a Guarda Suíça!
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Em Roma, a Páscoa reacende também a memória do papa Francisco: em 2025, o jesuíta argentino fez sua última aparição pública na Praça de São Pedro no domingo de Ressurreição, poucas horas antes de sua morte.
"Porta de saída"
Nos últimos dias, Leão XIV multiplicou os apelos diplomáticos, chegando até a interpelar o presidente americano Donald Trump, a quem convidou a "buscar uma porta de saída" para o conflito.
Em Jerusalém, as celebrações litúrgicas na basílica do Santo Sepulcro, erguida sobre o local onde, segundo a tradição, ocorreu a ressurreição de Jesus Cristo, foram realizadas a portas fechadas devido às restrições de segurança desde a eclosão da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.
No domingo, a polícia israelense controlava o acesso dos poucos fiéis autorizados a se aproximar.
"É muito difícil para todos nós, porque é a nossa festa (...) É realmente muito duro querer rezar, vir aqui e não encontrar nada. Está tudo fechado", lamentou Christina Toderas, de 44 anos, vinda da Romênia.
"O silêncio é quase absoluto, perturbado apenas à distância pelos estragos que a guerra continua causando nesta terra santa e dilacerada", declarou no sábado o patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa.
No Líbano, onde as localidades de maioria cristã no sul estão presas aos combates entre Israel e o movimento pró-Irã Hezbollah há um mês, os fiéis mantêm a esperança, apesar de tudo, e a maioria se recusa a fugir.
Em Debel, perto da fronteira israelense, os habitantes prepararam a Páscoa enquanto os bombardeios ressoavam sem parar ao redor da localidade, agora quase totalmente isolada do mundo e dependente da ajuda humanitária.