Autoridades norte-americanas estão investigando o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sob a alegação de envolvimento com o narcotráfico. Pelo menos dois escritórios de promotores federais dos EUA estariam conduzindo as investigações. O presidente colombiano tem estado na mira do líder norte-americano Donald Trump, que o acusou de ser “traficante de drogas ilegais”.
A informação sobre as investigações foi publicada em primeira mão pelo The New York Times, nesta sexta-feira (20/3), a partir do relato de três fontes com conhecimento do assunto. A agência de notícias AFP confirmou com uma fonte que "o presidente Petro já foi alvo de outras investigações sobre narcotráfico", mas a testemunha não mencionou quando isso ocorreu, se limitando a dizer que “não estão previstas acusações de forma iminente".
As informações reveladas até o momento são de que as investigações contra Petro têm sido conduzidas pelas procuradorias dos EUA em Manhattan e no Brooklyn. Os trabalhos teriam o envolvimento de promotores focados no tráfico internacional de narcóticos, bem como agentes das agências de repressão às drogas (DEA) e da Divisão de Investigações do Departamento de Segurança Interna (HSI), conforme disseram as fontes ao NY Times.
Leia Mais
A alegação é de que o governo de Petro tem sido omisso na repressão ao narcotráfico. Além disso, as investigações apuram acusações de que o presidente colombiano teria se encontrado com traficantes de drogas, inclusive para pedir doações à sua campanha eleitoral.
Em posicionamentos anteriores, o governo da Colômbia negou qualquer tipo de favorecimento ao narcotráfico e reafirmou o compromisso com o combate às drogas, citando iniciativas tomadas na gestão atual para reprimir a produção de coca — planta base da cocaína.
Conflitos
A relação entre a Colômbia e os Estados Unidos vive instabilidades desde a posse do presidente norte-americano Donald Trump no começo do ano passado. Em outubro, Trump deu declaração dizendo que Petro “é um traficante de drogas ilegais” e que o presidente latino “incentiva fortemente a produção massiva de drogas, em campos grandes e pequenos, em toda a Colômbia".
Em janeiro, logo após a invasão norte-americana à Venezuela, vizinha da Colômbia, Trump voltou a acusar o presidente colombiano de envolvimento com o narcotráfico. Petro respondeu com um pedido para que o norte-americano parasse de lhe “caluniar”. “Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta do povo colombiano pela paz", publicou numa rede social.
As tensões se arrefeceram após um encontro entre Petro e Trump na Casa Branca, nos Estados Unidos, em fevereiro. Ainda assim, as divergências voltaram nas últimas semanas. Nos próximos meses, os colombianos irão para as urnas escolher o próximo presidente. Petro, de esquerda, tenta fazer o seu sucessor, o que ameaça os planos de Trump de influenciar nas eleições da América Latina para colocar políticos de direita no poder.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Outro lado
As agências norte-americanas onde Petro estaria sendo investigado não responderam os contatos do NY Times. A embaixada da Colômbia nos Estados Unidos, por sua vez, respondeu à AFP que "nenhuma autoridade competente emitiu qualquer determinação ou notificação nem confirmou as informações” divulgadas pela imprensa, e que “as insinuações reportadas não têm base legal ou factual".
