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Trump diz acreditar que vai 'tomar' Cuba: 'Posso fazer o que eu quiser'

Presidente dos EUA falou em "ter a honra" de tomar o país vizinho

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (16) que "acredita que terá a honra de tomar Cuba" e que "pode fazer o que quiser" com a ilha, durante conversa com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.

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"Ouvi minha vida toda sobre os Estados Unidos e Cuba. 'Quando é que os EUA vão fazer isso?'. Eu realmente acredito que terei a honra de tomar Cuba", disse Trump.

O repórter que fez a pergunta inicial questiona, então, o americano: "tomar Cuba?", e Trump responde: "Tomar Cuba de algum jeito, sim, tomar Cuba, quero dizer, libertá-la, tomá-la. Acho que posso fazer o que quiser com ela", afirmou o republicano.

Trump disse ainda que a ilha era uma "nação falida". "Eles não têm dinheiro, não têm petróleo, não têm nada. Eles têm terras boas, uma paisagem bonita, é uma ilha linda. E acho que têm ótimas pessoas", afirmou, referindo-se em seguida a cubanos que emigraram e ficaram ricos nos EUA.

Washington, no entanto, é o principal impeditivo hoje para que Cuba importe petróleo. A ilha, bloqueada pelos EUA de receber a commodity, dependia de fluxo que vinha da Venezuela sob Nicolás Maduro, capturado pelo governo Trump em janeiro, que ignorava o bloqueio.

Cuba vive apagão

Nesta segunda, voltaram a ficar claros os efeitos desses três meses sem o óleo venezuelano. A empresa estatal que opera o sistema elétrico nacional anunciou colapso da rede e um apagão que afeta toda ilha e sua população, de cerca de 10 milhões de pessoas.

A empresa afirmou em publicação na rede social que não foram detectadas avarias em nenhuma das usinas termelétricas em funcionamento do país quando a desconexão total do sistema ocorreu. Não há ainda informações sobre causas ou previsão de retomada do serviço.

A ilha já vivia sob apagões constantes há anos, problema que se aprofundou já no ano passado.

No sábado (14), manifestantes críticos ao regime atacaram um escritório do Partido Comunista no centro de Cuba, informou um jornal estatal, em uma rara explosão de dissidência pública provocada pelos apagões.

Cuba recebeu apenas duas pequenas embarcações com importação de petróleo neste ano, de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG vistos pela agência Reuters nesta segunda-feira.

O primeiro navio-tanque descarregou combustível em janeiro no porto de Havana, vindo do México, que também era um fornecedor regular para a ilha até então. A segunda embarcação, vinda da Jamaica, descarregou gás liquefeito de petróleo em fevereiro.

A estatal venezuelana PDVSA carregou gasolina no mês passado em um navio-tanque que havia sido usado anteriormente para transportar combustível para Cuba, mas a embarcação não deixou as águas venezuelanas, conforme mostraram documentos da empresa do país e dados de monitoramento de navios.

O regime cubano tem conversado com a Casa Branca, conforme admitiu o líder Miguel Díaz-Canel, em anúncio televisionado na última sexta-feira (13).

O contato não é inédito. Embora antagonistas, os dois países já passaram por outros momentos de negociação desde que a Revolução Cubana tirou do poder o ditador Fulgencio Batista, aliado dos EUA, em 1959. De lá para cá, ao menos 13 presidentes americanos tentaram, sem sucesso, alterar o status quo da ilha, combinando pressões estratégicas e cálculos domésticos.

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Em nenhum momento, porém, os ventos pareceram tão favoráveis a Washington, que coloca a ilha como próximo alvo de movimentos agressivos da diplomacia do segundo mandato de Trump que refletem sua "Doutrina Donroe" de intervenções no Hemisfério Ocidental.

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