EM DAVOS

Trump lança Conselho da Paz na Suíça em tentativa de suplantar ONU

Conselho tem ganhados atribuições maiores do que no início, quando foi pensado para ser instrumento de governo para a Faixa de Gaza

Publicidade
Carregando...

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (22) a criação do chamado Conselho da Paz, órgão que o governo americano espera utilizar para suplantar as Nações Unidas -embora o americano negue essa intenção. 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Inicialmente pensado como instrumento para governar a Faixa de Gaza como parte do cessar-fogo na região, o conselho tem ganhado contornos mais amplos, movimento recebido com preocupação por países como França, Canadá, Reino Unido e Brasil. 

A cerimônia de assinatura ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça -evento já ofuscado pela investida tarifária e diplomática de Trump, ora suspensa, de anexar a Groenlândia. O anúncio teve a presença de alguns dos líderes que já aceitaram participar do conselho, como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán. 

O grupo nasce com a participação também de países como Israel, Arábia Saudita, Egito, Marrocos, Turquia e Vietnã, mas não está claro quais desses serão membros permanentes, uma vez que Trump pretende cobrar US$ 1 bilhão de quem desejar o assento. 

A estrutura da organização também continua pouco clara. O conselho -cujo logo mostra o planeta Terra com os EUA no centro- será presidido por Trump, que terá, com o chefe do grupo, preponderância sobre praticamente todas as decisões: da renovação de mandato dos membros e convocação de reuniões à definição do comitê executivo que deve gerir a reconstrução do território palestino. Além disso, Trump terá o voto de desempate em questões sem consenso. 

Países europeus ainda analisam o convite. Alguns deles, como França, Reino Unido e Noruega já recusaram fazer parte do órgão em meio à tensão gerada pelas investidas de Trump sobre a Groenlândia, um território da Dinamarca. 

O republicano disse nesta quinta que pretende trabalhar com a ONU e "reconstruir lindamente" Gaza, mas declarações anteriores do americano indicam que o objetivo é outro. "Acho que vai ser incrível, esperava que a ONU pudesse fazer mais, esperava não precisar deste conselho, mas as Nações Unidas... em nenhuma das guerras que encerrei, as Nações Unidas me ajudaram", disse Trump na terça (20), antes de embarcar para a Suíça. 

O Brasil ainda avalia se participa do conselho. O trabalho da diplomacia brasileira desde que o presidente Lula recebeu o convite tem sido de conversar com países também convidados. Se por um lado a tradição diplomática brasileira busca equilíbrio e participação em espaços de diálogo internacional, por outro vê a iniciativa americana como uma tentativa de esvaziar a ONU como espaço legítimo de debate global. 

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Lula conversou por telefone nesta quarta-feira com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que já aceitou participar do grupo. Segundo o Planalto, os líderes falaram sobre Gaza, mas não teriam abordado o tema do conselho de Trump.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay