Aposentado é condenado a 8 anos de prisão na Rússia por denunciar 'crimes' do exército na Ucrânia
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Siga noUm tribunal russo condenou, nesta segunda-feira (27), um aposentado a oito anos de prisão por ter denunciado "crimes" atribuídos ao exército na Ucrânia, particularmente em Bucha, informaram uma ONG e um veículo de comunicação especializado.
Konstantin Seleznev, um ex-professor de 64 anos, foi considerado culpado por "divulgar informações falsas" sobre o exército russo pelo tribunal de Moscou em Lefortovo, disse a ONG OVD-Info, especializada em monitorar a repressão e declarada "agente estrangeiro" pelas autoridades.
Nenhum jornalista foi autorizado a comparecer ao veredicto, que foi anunciado no corredor do tribunal pelo advogado do réu, Oskar Scherdjiev, disse um jornalista do site de notícias Mediazona, que também foi declarado um "agente estrangeiro".
Segundo a OVD-Info, em 2023 o aposentado compartilhou, na rede social russa VK, uma carta que ele alegou ter enviado ao procurador-geral russo. Pedia que investigasse "crimes cometidos por militares russos" na Ucrânia.
Ele citou, com base em uma matéria do The New York Times, um massacre de centenas de civis na primavera de 2022 na cidade ucraniana de Bucha, perto de Kiev.
A Rússia negou ter cometido as atrocidades e acusou a Ucrânia de ter inventado a informação.
Essa alegação russa foi desmentida por várias organizações independentes de verificação de fatos e veículos de comunicação, incluindo a AFP, cujos jornalistas viram e fotografaram corpos de civis ucranianos mortos nesta cidade.
O aposentado também foi processado por uma publicação na qual chamou o presidente russo, Vladimir Putin, de "chefe de Estado terrorista", mas essas acusações foram "retiradas", de acordo com a ONG OVD-Info.
Konstantin Seleznev, que ensinava física e matemática, foi preso em sua casa em Moscou em outubro de 2023.
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