Raios de luz são vistos enquanto o sistema de defesa aérea Iron Dome de Israel intercepta foguetes disparados da Faixa de Gaza para o território israelense em 7 de abril de 2023  -  (crédito: MOHAMMED ABED / AFP)

Raios de luz são vistos enquanto o sistema de defesa aérea Iron Dome de Israel intercepta foguetes disparados da Faixa de Gaza para o território israelense em 7 de abril de 2023

crédito: MOHAMMED ABED / AFP

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, afirmou à Folha de S.Paulo que é decepcionante que o Itamaraty não tenha condenado diretamente o Irã pelos ataques lançados no sábado (13) contra Israel.

 

Em nota divulgada na noite de sábado, o ministério das Relações Exteriores afirmou acompanhar com "grave preocupação" os "relatos de envio de drones e mísseis do Irã em direção a Israel".

 

"Nós esperávamos algo mais decisivo [do Itamaraty]. Vamos dizer, uma condenação de um ataque desse porte contra Israel. E não aconteceu. Você viu o anúncio e não é algo que condena esse ataque. Nós achamos que é decepcionante que não seja uma clara condenação da situação. Mas este foi o anúncio oficial do Itamaraty e temos que viver com isso. Eles precisam viver com isso", afirmou Zonshine à Folha.

 

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O diplomata está desde sexta (12) em Israel com familiares. A entrevista foi feita por videoconferência.

 

Zonshine afirma que o ataque iraniano foi "direto e óbvio". A falta de qualquer margem de dúvida sobre a autoria, prosseguiu Zonshine, é a principal razão pela qual Israel contava com um posicionamento diferente do Brasil.

 

"O Brasil se define como um país que defende a paz e a resolução de conflitos de forma pacífica. E quando existe um ataque desse porte, direto, óbvio, nenhuma situação pouco clara... então a expectativa era ouvir de uma forma mais clara. O fato de o Brasil não ter feito isso você tem que perguntar ao Itamaraty. Por que não fizeram? Se tem a ver com a crise diplomática que estamos vivendo ou algo a mais, eu não sei. É algo que você deveria perguntar ao Itamaraty".

 

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Brasil e Israel estão imersos em uma crise diplomática desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante uma viagem à Etiópia em fevereiro, comparou a ofensiva militar israelense em Gaza à decisão de Adolf Hitler de matar os judeus --numa referência ao Holocausto.

 

A fala gerou reação imediata do governo Binyamin Netanyahu, que além de criticar Lula publicamente convocou o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, para uma reunião de repreensão.

 

Lula foi ainda declarado persona non grata em Israel. O governo brasileiro, por sua vez, convocou Meyer para voltar a Brasília.

 

Para Zonshine, o envio ontem de drones e mísseis do Irã contra Israel leva o conflito entre os dois países a um outro nível.

 

"Este ataque é um novo estágio, um novo nível no conflito entre Israel e Irã. Não é algo que começou ontem ou há uma semana. Pelo menos nos últimos seis meses nós temos essa questão com o Irã, eles estão apoiando o Hezbollah, o Hamas, o Jihad Islâmico, os houthis e todas essas organizações, mas eles atuavam por terceiros. Ontem foi um ataque direto do território de um país ao outro", afirmou.