O que antes seria descartado ganha um novo destino e se transforma em fonte de renda para sete famílias em Itabira, na Região Central de Minas. A Associação dos Catadores de Recicláveis e Materiais Reaproveitáveis (Ascamarita) processa, por mês, de 15 a 20 toneladas de resíduos. A atividade mudou a vida de trabalhadores como Rita Simões, de 63 anos, que há dois anos encontrou na reciclagem uma oportunidade de sustento e uma nova forma de cuidar do meio ambiente.
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“A reciclagem foi muito importante para mim. Representa muita coisa boa. É uma fisioterapia para a mente e uma fonte de renda”, afirma Rita. A experiência também mudou os hábitos da família. Em casa, ela passou a separar os resíduos e a ensinar as netas sobre a importância de dar o destino correto aos materiais. “A gente separa o material para não ir para o meio ambiente. O plástico não se dissolve na terra. Ensinei minhas netinhas a separar”, conta.
No último ano, a Ascamarita passou por uma importante transformação. Parte desse avanço contou com a contribuição de parceiros, entre eles a Prefeitura de Itabira e a Vale, por meio do Projeto Reciclo Agora, iniciativa que busca fortalecer associações de catadores de Minas.
De acordo com Daniel Vezzaro, especialista em Tecnologia Social da Vale, o programa busca enfrentar dificuldades históricas da cadeia da reciclagem, contribuindo para diminuir a quantidade de resíduos enviados a aterros e gerar benefícios para as comunidades onde a empresa atua.
"É uma iniciativa que busca fortalecer um elo essencial da reciclagem, contribuindo para reduzir o envio de resíduos para aterros e, ao mesmo tempo, gerar valor compartilhado com as comunidades onde a empresa está presente. Em Itabira, esse propósito ganha um significado ainda maior por se tratar da cidade onde nasceu a Vale e de uma comunidade que faz parte da nossa história", destaca Daniel.
Mais estrutura
Quando assumiu a presidência da entidade em 2025, Evandro Santos, de 38 anos, encontrou um cenário de dificuldades. Na época, os trabalhadores atuavam em um espaço alugado, com chão batido e instalações improvisadas, que dificultavam a organização e o desenvolvimento das atividades.
Com as melhorias realizadas por meio do projeto, a entidade passou a contar com um galpão estruturado para receber, separar e armazenar os materiais recicláveis, em uma área de aproximadamente 5 mil metros quadrados.
“A reciclagem significa tudo para mim. Hoje, basicamente, todos os associados vivem da associação”, afirma Evandro
Os resíduos chegam à unidade por diferentes caminhos: são enviados por empresas parceiras, entregues pela Prefeitura de Itabira ou levados voluntariamente por moradores. No local, os catadores fazem a triagem, separam os materiais, prensam os recicláveis e os armazenam até a venda.
O processo permite que materiais descartados sejam reaproveitados, ao mesmo tempo que movimenta a renda das famílias que trabalham na associação. A ampliação da estrutura também cria condições para que a entidade desenvolva novas atividades relacionadas à gestão de resíduos.
Compostagem está nos planos
Entre os projetos previstos pela entidade está a implantação de um pátio de compostagem, com capacidade inicial para receber cerca de 100 toneladas de resíduos por mês. A expectativa é produzir aproximadamente 35 toneladas de composto orgânico no mesmo período.
A técnica transforma resíduos orgânicos em um material que pode ser utilizado no solo, ampliando as possibilidades de reaproveitamento. A proposta também poderá diversificar o trabalho desenvolvido pela associação e fortalecer sua atuação ambiental.
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*Estagiária sob supervisão
