Ítalo Jefersson da Silva foi condenado a 65 anos e 8 meses de prisão pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver da estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira. A vítima, à época com 23 anos, morreu assassinada em 9 de fevereiro deste ano em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, quando a jovem voltava do trabalho para casa. A sentença foi proferida nessa quarta-feira (30/9),
Durante a leitura da sentença, a juíza da Vara Única da Comarca de Juatuba, Alina Tereza de Mattos Azevedo, reforçou que o réu ostenta maus antecedentes e evidente quebra da confiança estatal depositada em sua ressocialização. Afirmou também que Ítalo apresenta alto grau de periculosidade tendo em vista que a violência sexual foi seguida pela morte da vítima por meio violento.
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“Os autos revelam uma trajetória de reiterado desprezo pelos bens jurídicos mais caros à convivência social, entre eles a própria liberdade sexual. Se não bastasse, não se trata de fato isolado ou episódico mas de um padrão de comportamento que se repete e se agrava ao longo do tempo, tanto que a liberdade recém concedida foi correspondida com a prática de crime de gravidade superior à dos anteriores”, disse a juíza durante a sentença.
O documento aponta, ainda, que as circunstâncias do crime são reprováveis, uma vez que o ato foi cometido em um local próximo a uma via pública com intenso tráfico de moradores. Isso destacaria a ousadia e o desprezo do réu pelo risco de ser flagrado.
A pena
Além dos 65 anos e 8 meses de prisão pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver, a sentença também determina uma pena de 23 dias-multa crime e o pagamento de R$ 100 mil por danos morais à família da vítima. Ítalo deverá cumprir a pena em regime inicialmente fechado e não poderá recorrer em liberdade.
Quando violentou e matou a jovem, Ítalo Jefersson cumpria pena, em prisão domiciliar, por roubo (quatro condenações), estupro (três condenações), atentado violento ao pudor, furto e resistência. A pena totalizava 38 anos, 10 meses e 29 dias. Porém, uma decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o absolveu do crime de tráfico de drogas, o que o beneficiou com a progressão do regime.
Prisão e confissão
Ítalo Jefersson foi detido três dias depois de cometer o crime. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), ele foi encontrado no município de Carmo do Cajuru, no Cenro-Oeste de Minas, enquanto viajava em um vagão de trem de carga, e confessou o assassinato. Desde então, está preso no Presídio José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Vanessa Lara de Oliveira prestava serviço para uma empresa terceirizada no Sistema Nacional de Emprego (Sine), em Juatuba. Familiares contaram que a jovem trabalhava para custear a faculdade de psicologia. O corpo da jovem foi encontrado no dia seguinte ao crime (10/2) em uma área de mata, com sinais de violência.
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Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Ítalo Jefersson afirmou que abordou a vítima, disse que não a conhecia e que a morte ocorreu por estrangulamento com um cabo de notebook. Porém, negou o abuso sexual.
