ROUBO DE ESPÓLIO

Operação Pseudos: grupo que aplicava golpes contra falecidos é condenado

Saiba como o esquema enganou o Judiciário para roubar R$ 180 mil de espólios. Penas para os quatro condenados chegam a mais de 23 anos de prisão

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Quatro homens, alvos da “Operação Pseudos”, foram condenados pela 7ª Vara Criminal de Belo Horizonte por furto qualificado por fraude cibernética, uso de documento falso e associação criminosa. A investigação foi conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em duas fases durante o ano de 2025, em Sete Lagoas, na Região Central de Minas.

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O grupo usava contratos e notas promissórias falsas para dar entrada em ações de execução fraudulentas contra pessoas falecidas que ainda possuíam contas bancárias ativas. Em um único golpe bem-sucedido, o esquema causou um prejuízo de R$ 180 mil às vítimas.

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Penas e reparações

O principal operador do esquema foi condenado a 23 anos e três meses de reclusão. O mentor intelectual e maior beneficiário, que se passava por credor fictício, recebeu uma pena de 19 anos e três meses de prisão. Ambos foram condenados por furto qualificado por fraude eletrônica, uso de documento falso e associação criminosa.

A dupla também foi condenada a ressarcir R$ 189.357,71 à família lesada. A fraude levou o Poder Judiciário a erro, que liberou os valores por meio de um alvará judicial.

O advogado responsável pelo núcleo jurídico da organização foi sentenciado a nove anos e três meses de prisão. Ele protocolava as petições e apresentava procurações falsas para tentar validar o golpe. O quarto integrante do grupo recebeu pena de cinco anos e nove meses por furto tentado e associação criminosa.

Investigações

O caso teve início quando o juiz da 36ª Vara Cível de Belo Horizonte comunicou ao MPMG sobre indícios de falsidade documental em uma ação. As investigações, que envolveram interceptações de comunicações e quebras de sigilo, permitiram ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificar os integrantes, todos residentes em Sete Lagoas.

A quadrilha ajuizou processos fraudulentos nos Tribunais de Justiça de Minas Gerais e de São Paulo. Eles processavam pessoas falecidas como se ainda estivessem vivas, omitindo os óbitos do Judiciário.

Enquanto o advogado protocolava os processos eletrônicos falsos, os outros membros atuavam como falsos credores ou movimentavam valores para pagar custas processuais na tentativa de receber as heranças.

A “Operação Pseudos”, realizada em cooperação entre o MPMG e a Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em maio e setembro de 2025. O objetivo era evitar mais danos financeiros e preservar a credibilidade das instituições públicas.

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Por se tratar de uma sentença de primeira instância, os réus ainda podem recorrer da decisão.

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