Seis pessoas foram presas, suspeitas de práticas de crimes sexuais e agressões físicas em clínicas clandestinas de reabilitação, de  repouso e de recuperação de viciados em drogas e álcool, em Montes Claros, no Norte de Minas. Elas foram detidas na Operação Refúgio Seguro, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), nessa quarta-feira (23/9).

Segundo a Polícia Civil, até agora, foram identificadas ao menos 10 vítimas dos supostos abusos sexuais. O principal alvo da ação policial foi o proprietário das clinicas, que vinha sendo investigado havia cerca de três anos. 

Ele e os outros suspeitos foram presos temporariamente e encaminhados para o Presídio Regional e o Presídio Alvorada, em Montes Claros.

Conforme o delegado Jurandir Rodrigues Filho, chefe do 11º Departamento de Polícia Civil, foram decretadas prisões temporárias por 30 dias, podendo ser prorrogadas por igual período. Mas, elas poderão ser convertidas em prisões preventivas.

As investigações são chefiadas pela delegada Karine Maia, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Montes Claros, que atua em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

De acordo com o delegado Rodrigues, o principal investigado mantinha clínicas em funcionamento mesmo após fiscalização e constatação de irregularidades nos estabelecimentos, que recebiam pessoas de todas as idades. As apurações policiais apontam que toda vez que uma clínica do grupo era fechada, outra clínica era aberta, em seguida, inclusive locais de difícil acesso, visando inviabilizar a fiscalização e a continuidade das investigações.

Ao longo de três anos, foram abertas seis clínicas. O último estabelecimento investigado fica na comunidade de Antônio Olinto, distante quatro quilômetros da área urbana.

Ainda conforme as investigações, foram identificadas diversas irregularidades nas clínicas como condições precárias de internação, pacientes adultos e adolescentes mantidos no mesmo ambiente, permanência por períodos superiores aos previstos e problemas na prescrição e administração de medicamentos. Também foram relatadas situações de pacientes dormindo no chão, remédios armazenados de forma inadequada e receitas médicas em branco.

Agressões e abusos sexuais

A investigação reúne relatos de agressões físicas e abusos sexuais. Segundo a Polícia Civil, até agora,  foram identificadas cerca de 40 possíveis vítimas, das quais pelo menos 10 relataram abusos sexuais.

Ainda conforme a apuração policial, o proprietário de uma das clínicas teria praticado parte das violências contra internas utilizando ameaças, promessas de liberação e oferta de drogas para manter as internas sob seu controle.

Menores de idade

Entre as supostas vítimas, informou a PCMG, estão duas menores de idade que foram resgatadas em uma das clínicas investigadas e encaminhadas para o Conselho Tutelar dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Elas teriam sofrido abusos sexuais por parte do proprietário e funcionários das clínicas e chantageadas para não revelarem os supostos abusos.

Também foram identificados indícios de que funcionários intimidavam internas durante visitas de familiares, com o objetivo de impedir que as agressões e outras irregularidades fossem denunciadas.

A Policia Civil informou que investigações apontaram ainda casos em que internas inicialmente relataram as violências sofridas, mas posteriormente modificaram ou retiraram os depoimentos após sofrerem pressão. A situação dificultou o avanço da apuração em determinados momentos.

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A reportagem tentou, mas não conseguiu contato com os advogados de defesa dos investigados e detidos na operação para ouvir suas versões.

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