“A esperança é que o melhor seja feito", disse o professor Ramon Finelli durante a manifestação dos docentes da rede particular de Belo Horizonte e região, realizada nesta segunda-feira (21/9), em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul da capital. Em greve desde quarta-feira (16/9), os professores protestam contra a proposta de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) entre educação básica e ensino superior e defendem a manutenção dos direitos previstos no documento.

Para o professor do Bernoulli há mais de 10 anos, a categoria está mobilizada para preservar conquistas obtidas ao longo de décadas. Segundo ele, a proposta apresentada pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Minas Gerais (Sinepe-MG) trouxe uma mudança que preocupa os professores.

“A negociação desse ano trouxe para nós uma infeliz novidade. A proposta do Sinep, Sindicato Patronal, é nos dividir em duas categorias, professores do básico e professores do superior”, afirmou.

A atual convenção coletiva reúne os dois segmentos e estabelece direitos e condições de trabalho para os docentes. Os professores rejeitam a divisão e defendem a renovação da CCT sem alterações. A categoria também reivindica reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao INPC.

Divisão preocupa professores

Entre os direitos que, segundo Ramon, podem ser afetados por uma eventual separação estão as bolsas de estudo. Ele afirma que a divisão poderia enfraquecer a garantia desse benefício para professores da educação básica.

“No nosso entendimento, de toda a categoria que já está no quarto dia paralisado em greve, é que essa divisão nos prejudica em vários sentidos, principalmente na possibilidade, por exemplo, de perda de bolsas para nós do ensino básico em relação ao ensino superior”, disse.

O professor também aponta preocupação com a ausência de uma nova convenção coletiva enquanto não há acordo entre as partes. “A falta de uma CCT, de uma convenção coletiva, impõe para nós uma condição extremamente precária, de falta de legislação."

Para explicar a preocupação, Ramon citou a própria paralisação dos docentes. Segundo ele, no local onde trabalha, professores estão em greve enquanto os diretores da instituição entram em sala de aula para substituí-los.

“Hoje que nós temos direito a fazer greve, os donos da escola que eu trabalho, Bernoulli, estão dentro de sala de aula, o que é proibido pela legislação. A gente vai ter todos os nossos direitos retirados."

A greve começou na quarta -feira (16/9) após decisão da categoria em assembleia organizada pelo Sinpro Minas. Na sexta-feira (18/9), mais de 700 professores de dezenas de escolas participaram de uma nova assembleia e decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado.

Para Ramon, a continuidade do movimento é uma forma de pressionar por um acordo que preserve os direitos dos docentes. “A manutenção dessa greve, na minha opinião, é a única condição para a gente de fato manter os direitos."

O professor também criticou a condução das negociações pelo sindicato patronal. Segundo ele, as reivindicações apresentadas pelos docentes não encontraram abertura suficiente para um acordo.

“A esperança é que o melhor seja feito, o melhor infelizmente não foi colocado na mesa de negociação, porque o Sinep se mostra intransigente, completamente surdo para as nossas reivindicações, que são várias”, disse.

Para ele, a situação chegou a um ponto em que a categoria precisa escolher entre continuar a paralisação ou correr o risco de perder direitos.

A manifestação aconteceu em frente ao tribunal. O ato integra a mobilização dos professores durante a greve.

Ramon afirma que a divisão da categoria é vista pelos docentes como uma medida que não atende aos interesses dos professores. Ele também voltou a citar a situação no Bernoulli como exemplo da relação entre as instituições e os docentes durante a paralisação.

“Eu acho que, além do fato do sindicato patronal impor para a gente um desrespeito, que é a divisão da categoria, que já está muito claro para nós que a categoria não quer, é a forma como muitos donos de escola, e eu cito Bernoulli mais uma vez, estão colocando nós professores em questão, entrando dentro de sala de aula, dando aula, substituindo o professor”, declarou.

Segundo o professor, a situação deverá ser levada ao tribunal.

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A categoria realiza uma nova assembleia nesta terça-feira (22), às 9h30, na Rua Diamantina, 463, no Bairro Lagoinha, em Belo Horizonte. O encontro deve definir os próximos passos do movimento.

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