Em assembleia realizada nesta sexta-feira (18/9), professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região decidiram continuar a greve por tempo indeterminado

Os docentes rejeitaram a proposta do sindicato patronal de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho - documento que define os direitos dos professores, como salários e demais benefícios - em duas: uma para a educação básica e outra para o ensino superior.

Os professores defendem a renovação sem alterações da atual Convenção, com reajuste salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 3,77%.


Nova assembleia

Uma nova assembleia da categoria foi marcada para terça-feira (22/9), às 9h30, no auditório da Fundação de Educação Artes e Cultura (Fundac), localizada na Rua Diamantina, Bairro Lagoinha, Região Noroeste da capital, para avaliar a continuidade da greve.

Uma audiência de mediação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) está agendada para segunda-feira (21/9), às 14h30, para discutir a situação. Os professores farão um ato em frente ao Tribunal, durante a audiência, para manifestar a insatisfação da categoria com a postura patronal, de acordo com o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas). 

O sindicato alega que os donos de escolas afirmam que só fecham um acordo da campanha salarial se os docentes aceitarem dividir a Convenção, que atualmente é única e estabelece os direitos dos professores de todas as etapas de ensino.

Para a categoria, a divisão enfraquece a capacidade de negociação coletiva e abre espaço a novos ataques a conquistas históricas, como as bolsas de estudos e a isonomia salarial.  

“Desde o início a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria”, destaca Valéria Morato, presidente do Sinpro Minas.

“Vale lembrar que nas primeiras rodadas de negociação, os professores apresentaram uma pauta de reivindicações com mais de 10 pontos de valorização da carreira docente, além de ganho real, e para que as discussões avançassem, passamos a defender apenas a renovação da Convenção sem mudanças e o reajuste pelo índice da inflação. Mas o patronal tem tido uma postura intransigente”, acrescenta.  

A presidente do sindicato dos professores ressalta que a greve é para defender conquistas históricas da categoria, como as férias coletivas, o adicional extraclasse e a isonomia salarial. “Estamos diante de uma tentativa de dividir uma categoria que historicamente construiu sua força por meio da unidade. E como estamos sem Convenção assinada, há escolas que já não estão aplicando nossos direitos, entre eles as bolsas de estudos, em total desrespeito a quem dedica uma vida à sala de aula, afirma Valéria Morato.

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O Estado de Minas procurou o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe/MG) e aguarda retorno. 

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