A histórica cidade de São João del-Rei, na Região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais, inicia campanha para buscar o título de “Arte Sacra Viva, Patrimônio Imaterial da Unesco”, reconhecimento feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Na tarde desta terça-feira (1º/9), no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, o secretário Municipal de Cultural e Turismo, Caio Andrade, acompanhado de pessoas detentoras de saberes tradicionais, levou a proposta ao secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), Leônidas Oliveira.

“São João del-Rei reúne uma condição rara: ali, a arte sacra não pertence apenas ao passado, ela continua viva no cotidiano. Está nas igrejas e imagens, mas também nos sinos, na música, nas irmandades, nas celebrações e nos saberes transmitidos entre gerações. O Governo de Minas recebe essa mobilização com entusiasmo e responsabilidade, porque uma candidatura à Unesco precisa nascer justamente dessa força comunitária, com os detentores no centro do processo”, afirmou Leônidas Oliveira.

A mobilização coloca no centro do processo a comunidade responsável pela preservação de tradições que atravessam gerações e fazem de São João del-Rei referência na arte sacra. Recentemente, o pedido foi feito à ministra da Cultura, Margareth Menezes, e ao presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão. Na solicitação da Prefeitura de São João del-Rei, para início de estudos visando a conquista do título, também assinam irmandades, confrarias, ordens terceiras, artistas que trabalham com arte sacra, músicos, sineiros, artesãos, artistas, instituições religiosas e representantes da sociedade civil. O objetivo é buscar o reconhecimento da arte sacra como patrimônio cultural vivo, com a valorização das pessoas que preservam, praticam e transmitem esses conhecimentos.

Cerimônias da Semana Santa em São João del-Rei mantêm o tom solene e a beleza das tradições ao longo dos séculos

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA PREFEITURA DE SÃO JOÃO DEL-REI/DIVULGAÇÃO

Candidatura

O processo também pretende fortalecer a construção de uma futura candidatura junto à Unesco, a partir de um trabalho coletivo que reúna comunidade, poder público e instituições especializadas. Assim, o diálogo com o governo federal, a partir do encontro com Margareth Menezes, foi um marco importante, conforme as autoridades do município do Campo das Vertentes. Na ocasião, a prefeitura apresentou a proposta e destacou a relevância do apoio federal para a valorização e a salvaguarda do patrimônio cultural de São João del-Rei.

A proposta considera que a arte sacra de São João del-Rei ultrapassa o conjunto de igrejas, imagens, altares e obras históricas. O patrimônio também se encontra nos saberes e nas práticas que permanecem presentes na vida da cidade: nas celebrações, na música, nas bandas, nos sinos, no artesanato, nas irmandades, nas festas religiosas e nos modos de fazer transmitidos de geração em geração.

“A iniciativa nasce da comunidade e dos detentores dos saberes que mantêm viva a arte sacra de São João del-Rei. São pessoas que preservam técnicas, tradições, celebrações, música, o toque dos sinos e tantas outras manifestações que fazem parte da identidade da nossa cidade. Cabe ao poder público abrir portas, buscar apoio e criar as condições para que esse patrimônio alcance o reconhecimento que merece”, explicou Caio Andrade.

“Arte sacra viva”

Elaborado de forma participativa na cidade integrante do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e expoente da Estrada Real, o documento solicita a abertura de estudos técnicos necessários para avaliar a possível inclusão de “São João del-Rei, cidade da arte sacra viva” na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial do Brasil, etapa fundamental para a futura candidatura à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco.

Já o provedor da Irmandade do Santíssimo, Ricardo Camarano, destaca a importância do patrimônio local e a responsabilidade das comunidades. “Tudo em São João del-Rei permanece vivo, porque continua sendo usado, celebrado e transmitido. As imagens saem às ruas, as músicas são cantadas, os sinos chamam a comunidade e os mais jovens aprendem com aqueles que vieram antes. Queremos que qualquer processo de reconhecimento preserve exatamente isso: a verdade da nossa fé, das nossas tradições e da nossa forma de cuidar desse patrimônio”.

“É importante deixar claro que essa busca não pertence apenas à Prefeitura. O protagonismo é da comunidade. São os detentores que preservam esse patrimônio e dão sentido a essa tradição. Queremos construir esse caminho com eles, buscar o apoio do Estado e da União e criar uma base sólida para que São João del-Rei possa alcançar o reconhecimento como Arte Sacra Viva, Patrimônio Imaterial da UNESCO”, destaca Caio Andrade.

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Patrimônios de Minas

Em Minas, são reconhecidos como Patrimônio Mundial: Ouro Preto (1980), Santuário Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (1985), Diamantina (1999) e o Conjunto Moderno da Pampulha, em BH (também Paisagem Cultural, em 2016). Há um ano, foi a vez de o complexo de sítios arqueológicos do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no Norte mineiro, ser reconhecido como Patrimônio Natural Mundial. Importante ressaltar que o modo de fazer o Queijo Minas Artesanal ganhou, em dezembro de 2024, o título de Patrimônio Cultural na área alimentar.

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