Drama da estiagem

Norte de Minas tem 46 municípios em emergência por causa da seca

A tendência é que a quantidade de cidades em situação crítica venha dobrar nos próximos dias por conta do agravamento dos danos, informa a Amams

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Enquanto a meteorologia prevê a continuidade da chuva em Belo Horizonte neste domingo (6/9), outras regiões do estado sofrem com a seca intensa. É o caso do Norte de Minas Gerais.

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Na quinta-feira (3/9) foi publicado o decreto assinado pelo governador Mateus Simões (PSD) que criou o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño no âmbito do estado. Na oportunidade, o número de municípios mineiros em situação de emergência ou calamidade pública em por causa da estiagem prolongada não foi divulgado. Porém, de acordo com Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), 46 cidades já se encontram em situação emergencial devido à seca rigorosa.

A tendência é que esse número venha praticamente dobrar nos próximos dias. Segundo a entidade, já existem pelo menos outros 40 municípios da região preparando a assinatura do decreto de emergência por conta dos danos nas lavouras e da falta de água, os efeitos mais devastadores da seca rigorosa.

A Amams tinha solicitado ao governo do Estado para reforçar o apoio aos pequenos municípios castigados pelos efeitos severos do super El Niño. Na quarta-feira (2/9), o presidente da associação, Ronaldo Soares Mota Dias, comemorou a criação do novo comitê por meio de decreto do Executivo. A entidade divulgou que também orienta os prefeitos a fazer levantamentos sobre as comunidades que necessitam de abastecimento emergencial de água e encaminhar as demandas aos órgãos responsáveis, buscando agilidade na adoção das medidas necessárias. 

Drama já é realidade

O drama da falta de água agravado com a chegada do super El Niño já é realidade de Monte Azul, de 20,3 mil habitantes, no Norte de Minas. Desde julho, o município encontra-se em estado de emergência por conta da seca severa. “Neste ano, nossas demandas da população triplicaram em relação ao ano passado”, afirma Juarez Xavier da Silva, coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil da cidade.

Conforme Juarez, já somam 1.500 pessoas e cerca de 300 famílias em 20 comunidades rurais do município abastecidas por caminhões-pipas. Até agosto, era usado um veiculo e neste mês estão rodando três para levar água as famílias atingidas na zona rural de Monte Azul.

A falta de água se agravou porque praticamente todos os rios do município que eram perenes secaram, entre eles o Pajeú, Garipau, Riacho Seco, Cana Brava e Rio Pedreira.

Juarez Xavier constata as consequências drásticas das mudanças climáticas no município. “A temperatura aumentou muito, elevado o consumo de água. Os poços tubulares ficaram comprometidos, diminuindo a vazão”, observa o coordenador da Defesa Civil, que relata outra consequência nefasta do tempo seco: “as queimadas triplicaram”.

Outro personagem do sertão mineiro que testemunha os efeitos drásticos das mudanças climáticas ao longo dos tempos é o pequeno produtor Antônio Ronilson Rodrigues Lopes, de 63 anos, o "Nenzinho", morador da localidade de Catuti, no município de Francisco Sá, no Norte de Minas. O Caititu nasce entre os municípios de Juramento e Itacambira(na mesma região) e segue até o Rio Verde Grande, um dos mais importantes afluentes do Rio São Francisco

Nenzinho recorda que até 40 anos atrás, o Rio Caititu, que passa no fundo do seu terreno, corria caudaloso o ano inteiro. Era tanta água disponível que naquele ponto era feita captação em um açude para irrigar hortas e plantações de feijão durante o período de estiagem pelo sistema antigo de “água de rega” -recorrendo à fartura hídrica e à “lei da gravidade”. Hoje, o leito do Caititu está completamente seco, com aspecto de “estrada”, onde, no passado, existiam poços profundos.

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“Nesse ponto, corria muita água durante todo o período da seca. Estou com 63 anos e nunca vi esse rio tão seco como está hoje. Quando eu era criança, tinha muita água no rio. (Com o passar do tempo) a água foi diminuindo até chegar a esse ponto em que o rio está hoje, todo seco. Só corre água quando chove”, descreve o pequeno agricultor, que recorre a um poço tubular para ter água para sua família e para atividade leiteira da sua propriedade. “Se não fosse o poço artesiano, aqui não teria mais nada, não teria água, nem vaca, nem um vizinho”, completa.

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