Enquanto alguns voltam para a casa depois de uma longa e agitada madrugada de Virada Cultural, outros chegam com muita energia para a já tradicional corrida de carrinhos de rolimã na Avenida Assis Chateaubriand, no Bairro Floresta, na Região Leste da capital mineira. 

O esporte, o lazer e a cultura podem ter capacidade impressionante de transformação. E, em um mundo de imediatismos, a retomada ou manutenção de brincadeiras mais antigas pode ser valiosa. No caso de Antony Leal, de sete anos, o carrinho de rolimã foi um aliado gigante na socialização e melhora da coordenação motora. 

O pequeno foi diagnosticado com autismo nível 1 de suporte aos 3 anos de idade, de acordo com a mãe, Juliana Leal. “No ano em que tivemos o diagnóstico, fomos ao Mineirão à convite da mãe de um colega dele para ir ao projeto Amigos com Rolimã [que até hoje está na esplanada do estádio todas as quintas-feiras]”, conta, em entrevista ao Estado de Minas neste domingo (30/8).

No primeiro momento, segundo Juliana, Antony ficou um pouco incomodado com o barulho, mas não demorou para que se apaixonasse pela prática, que, aliás, é considerada modalidade esportiva a partir deste ano. “O pessoal do projeto se uniu e o presenteou com um carrinho de rolimã e ele nunca mais quis deixar de ir”, conta. 

Coordenação motora e interação

Hoje, já com quatro anos de prática e três edições da corrida na Virada Cultural, Juliana diz enxergar muito bem como a modalidade ajudou o filho. “Acabou virando uma terapia para o Antony. Todas as quintas, ele chega da escola querendo ir para a esplanada. Ajudou muito na coordenação motora e na socialização dele. Acho que ele sente a liberdade de pilotar o carrinho”, afirma. 

Esta é a 4ª vez que a programação da Virada inclui essa prática que foi reconhecida como modalidade esportiva em Minas Gerais

Edesio Ferreira/EM/Press

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Do filho para os pais

Com o apreço de Antony, Juliana e o marido e pai da criança, Lucas Leal, passaram a se aventurar também nas corridas de carrinho de rolimã. “A família toda entrou, e hoje, por causa do nosso filho, meu marido se tornou profissional e já compete”, diz, mostrando, orgulhosa, a camisa da equipe Antony Leal, pela qual Lucas compete.

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