Em clima de comoção e indignação, pessoas próximas a Silvani Paulino, de 36 anos, morta a tiros pelo próprio marido dentro do salão onde trabalhava, marcharam pelas ruas de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para cobrar justiça. Uma das participantes, usando uma máscara tingida com manchas que lembram sangue, protagonizou uma cena de impacto. O ato ocorreu na tarde desta quarta-feira (19/8), mesmo dia em que a vítima foi sepultada.
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Com balões, cartazes e roupas brancas, os participantes também chamaram a atenção para o grande número de casos de feminicídio no país. Em 2025, o Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados desse tipo de crime, o que representa um aumento de 34% em relação a 2024, quando houve 5.150 vítimas. Os dados são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).
Entre os participantes estava o filho de Silvani. Muito abalado, ele não quis falar com a reportagem. O sobrinho da vítima, no entanto, sintetizou o sentimento das pessoas presentes. "Eu quero justiça, quero que ele pague pelo que fez. Ela não merecia isso: ela era trabalhadora, ela era guerreira", diz Arthur, de apenas 14 anos. "Ela era tudo para mim; era uma mãe para mim, me dava tanto conselho", lamenta.
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Fernanda, de 36 anos, cunhada da vítima, manifesta o mesmo desejo. "Eu espero que a justiça seja feita por ela. Que justiça seja feita, que ele pague pelo que ele fez", pontua. "Que a Silvani venha ser guardada na memória de todos aqueles que conviveram com ela, como uma pessoa boa, de bom coração; nós amávamos ela muito", acrescenta.
O grupo saiu da casa onde Silvani morava, na Rua Zamiro Nelson de Souza, no Bairro Funcionários, em Contagem. De lá, os participantes caminharam pela Avenida João César de Oliveira até o fórum do município.
Entenda o caso
Silvani Paulino, de 36 anos e Alisson Miranda Pedrosa, de 37 anos
Silvani foi morta com seis tiros nas costas dentro do próprio salão de beleza na noite dessa segunda-feira, no Bairro Funcionários, também em Contagem. Uma cliente, que fazia as unhas quando o marido da manicure chegou ao estabelecimento, contou que ele apagou a luz do salão e efetuou vários disparos nas costas da mulher. A testemunha não foi atingida.
De acordo com o registro policial, a filha da vítima também estava no salão, sentada próxima à mãe, quando o pai chegou e efetuou os disparos. A cunhada da manicure, que mora nos fundos do imóvel, relatou que havia conversado com ela pouco antes do crime. Momentos depois, ela ouviu os tiros.
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Após os disparos, o suspeito, Alisson Miranda Pedrosa, de 37 anos, fugiu em um Fiat Siena que estava estacionado na rua, mas acabou sendo preso nesta terça-feira, um dia depois do assassinato. Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), ele foi localizado em Conselheiro Lafaiete, na Região Central de Minas, cidade por onde passava e, conforme a corporação, poderia estar tentando deixar o estado.
Os militares encontraram o Fiat Siena utilizado para fugir do local do crime estacionado na rua. Depois de buscas pela região, o suspeito foi localizado dentro de uma padaria. Conforme o relato da PM, ele tentava comprar um chip de celular e havia pedido ao comerciante uma tomada para carregar o aparelho. Durante a abordagem, ele teria admitido o assassinato e afirmado que a morte ocorreu após um “problema conjugal”.
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A prisão ocorreu menos de 24 horas depois da morte de Silvani. A investigação sobre o caso está em andamento e é conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
