Influenciadora assassinada: dois meses após o crime, suspeito é incerto
Advogada da família indica pouco avanço nas investigações e falta de clareza por parte da Polícia
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Incertezas ainda cercam o município de Mutum, no Vale do Rio Doce, 73 dias depois do assassinato da influenciadora Alzira Theodoro, que foi morta a tiros na zona rural da cidade. Até hoje, nenhum suspeito foi preso.
A advogada Carina Goiatá, responsável pela defesa da família da vítima, relatou que o processo não teve avanços significativos e que estava com dificuldades para ter acesso às provas anexadas. O impedimento era tão grande que ela recorreu à Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Minas Gerais.
Após a intervenção da OAB, o acesso aos documentos foi facilitado para a advogada. “Melhorou bastante, inclusive a disposição a nos dar acesso. Se a gente quisesse coisas específicas que a gente não tem acesso é pra gente falar que eles dão”, afirma.
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Antes disso, ela não teve acesso a provas, como uma acusação de morte de uma investigada, o depoimento dela, provas que o advogado da defesa da suspeita possuía.
Segundo Carina Goitá, as investigações apontam um casal como principal suspeito. Outras duas pessoas estariam sendo investigadas por envolvimento na realização do crime. A advogada informou que todos eram conhecidos da Alzira. Um outro suspeito foi preso pela polícia por posse de arma ilegal, mas foi liberado no mesmo dia.
O processo corre em sigilo, mas o advogado responsável pela defesa da mulher do casal pediu maior sigilo pois a “mídia estaria afetando a investigação”. “Ele pede um sigilo maior para que a acusada não seja afetada como se ela fosse a vítima, sendo que a vítima da situação é a Alzira”, diz Carina.
A família e a advogada discordam da necessidade de maior segredo das informações, tendo em vista que a visibilidade pode ajudar no andamento do caso.
Motivações
Uma das maiores apreensões da família é por não saber a motivação do crime e, com isso, não garantir a segurança das próprias famílias. O filho mais velho de Alzira, Bruno, mudou de endereço depois de tudo que aconteceu.
“O Bruno ouviu barulhos estranhos na casa às 3h da manhã duas vezes. Ele tem filho pequeno e esposa, então toda a família fica apavorada. E eles moram numa área muito afastada”, afirmou a advogada.
A advogada acredita que o crime foi mandado por alguém e, por isso, essa insegurança persegue a família, que ainda vive na cidade. Quando questionada sobre as linhas de investigação, Carina afirma que o homem do casal investigado pela Polícia Civil teve um caso com Alzira e a mulher dele teria descoberto. Depois disso, a investigada teria ameaçado Alzira de morte.
Falta de clareza
Carina Goitá também afirma que o delegado responsável pelo caso não ajuda a família ou até a mídia a sanar dúvidas sobre as investigações. "Sei de vários canais que foram até ele e, inclusive, às vezes ele fala com deboche", afirma. O tom também parece ter sido utilizado com Bruno, filho da vítima.
A apreensão dos familiares frente a morte de um membro importante é tratada como irrelevante pela autoridade. "Ele falou que já que concluiu investigações em quatro anos", relata sobre momento em que ela e a família questionaram a falta de avanço das investigações.
Relembre o caso
A influenciadora Alzira Maria Theodoro Luiz, de 43 anos, foi morta a tiros na manhã do dia 7 de junho em sua casa na zona rural de Mutum, no Vale do Rio Doce. Ela era conhecida nas redes sociais pelos vídeos sobre o cotidiano na lavoura, especialmente a produção de café. Alzira acumulava cerca de 70 mil seguidores e compartilhava uma rotina marcada pelo trabalho no campo.
Para o filho mais velho de Alzira, Bruno, a mulher mostrada na internet era a mesma de dentro de casa.
"Trabalhadeira, honesta. Apesar de tudo que passou, sempre se manteve forte", define o filho. Segundo ele, a mãe raramente reclamava dos problemas que enfrentava e não tinha nenhum desafeto. "Nunca se queixou sobre problemas com ninguém. Sempre estava focada no trabalho dela, cheia de sonhos e planos", conta.
O boletim de ocorrência informou que o crime ocorreu por volta das 8h30 na região do Córrego Mata Fria, onde testemunhas ouviram três tiros. Ao chegar no local, os militares encontraram ela sem vida, com ferimento na cabeça.
A reportagem procurou a Polícia Civil para ter atualizações sobre as linhas de investigação e novos andamento, e não obteve novos dados. “O caso segue em investigação e outras informações serão repassadas em tempo oportuno”, informou a corporação. (Com informações de Wellington Barbosa e Fernanda Santiago)
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*Estagiário sob supervisão do subeditor Gabriel Felice