Os recorrentes roubos de celulares em um dos pontos mais movimentados na Região Pampulha, em Belo Horizonte, têm deixado pedestres e motoristas com medo e colocado as forças de segurança em alerta. Conforme relatado ao Estado de Minas, a prática criminosa é facilitada pela parada obrigatória no sinal entre as avenidas Dom Pedro II e Tancredo Neves, embaixo do viaduto do Anel Rodoviário, no Bairro Jardim Montanhês. Profissionais do transporte, acostumados a passar pelo local diariamente, acreditam que o semáforo é essencial para a fluidez do trânsito, mas cobram mais fiscalização para coibir a criminalidade.
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Transportador escolar há mais de cinco anos, o motorista Wagner Costa acredita que um reforço no policiamento e fiscalização no local ajudaria a trazer mais segurança no ponto, que recebe um fluxo grande de veículos. Segundo o transportador, que passa entre oito e 10 vezes ao dia no trecho, ele nunca viu as forças de segurança no local, além de considerar a região vazia e descuidada. De acordo com ele, há uma mata alta nas proximidades, o que facilita a ação de criminosos, que usam as moitas como esconderijo.
Embora dirija na região todos os dias, foi no dia 28 de julho que Wagner presenciou um roubo no local pela primeira vez. Ele estava fazendo uma viagem fretada de uma amiga, que estava no banco do passageiro, quando pararam no sinal. Rapidamente, um rapaz, com características não identificadas, apareceu e pegou o celular dela através da janela da van, que estava quase fechada, o que indica a habilidade que os criminosos têm para subtrair os aparelhos mesmo quando os vidros estão entreabertos.
“Foi muito rápido. Ele (criminoso) meteu a mão dentro quando paramos no sinal e foi tudo muito rápido. Eu estava dirigindo e fiquei sem reação. Na hora que ela teve o celular tomado, a Michelle (vítima) correu atrás dele no sentido do Shopping Del Rey, mas não adiantou”, contou. Segundo Wagner, depois de ter passado pela situação, comentou com alguns clientes, que ficaram bastante assustados. Ao relatar o caso nas redes sociais, percebeu que muitas pessoas já viram assaltos no local ou já foram vítimas.
Fiscalização e policiamento
De acordo com a Prefeitura de BH (PBH), a Guarda Civil Municipal (GCM) realiza patrulhamento em toda a cidade para proteger a população e o patrimônio público, inclusive no ponto onde roubos têm sido registrados. Segundo a GCM, são realizadas rondas periódicas próximo ao semáforo, além de ações conjuntas com a segurança pública, mas, depois de contatada, a Guarda informou que deve intensificar o patrulhamento. Em caso de suspeita ou ocorrência de crimes, a GCM deve ser acionada pelo telefone 153 e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) pelo telefone 190.
Já a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio do 34º Batalhão de PM, afirmou que além da Avenida Dom Pedro II e do Anel Rodoviário, também monitora a Avenida Itaú, localizada nas redondezas. Segundo a polícia, as ações são planejadas com base na dinâmica criminal da região, com emprego do policiamento de forma estratégica. No local em questão, a PMMG ressalta que realiza operações de visibilidade, sobretudo nos horários de maior fluxo de veículos. No entanto, Wagner revela que mesmo transitando constantemente pelo local, viu apenas uma ronda policial em mais de cinco anos e sugere que câmeras de monitoramento seriam uma boa opção.
Para se proteger, a PMMG recomenda que a população adote medidas de autoproteção, especialmente em locais de maior fluxo e retenção de veículos. Deve-se evitar celulares visíveis ou fixados no vidro dos veículos durante paradas e deslocamentos em baixa velocidade.
Cenário do crime na capital
O assalto recente ilustra o cenário na capital, que registra um número preocupante na subtração de celulares mediante violência ou grave ameaça. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Belo Horizonte somou 10.029 casos em 2025. O levantamento mostra que BH está à frente do Rio de Janeiro na taxa de aparelhos roubados por habitante, e ocupa o 16º lugar nacional, registrando 831,3 ocorrências para cada cem mil pessoas, em 2025.
Por outro lado, a quantidade de celulares roubados e furtados em BH no primeiro semestre de 2026 caiu em comparação com o mesmo período do ano passado. Levantamento feito pela Secretaria de de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), 7.087 aparelhos foram furtados nos primeiros seis meses deste ano – número quase 23% mais baixo do que o total do período anterior, de 9.186. Conforme o balanço, a queda de celulares roubados é ainda mais expressiva. De 1.530 ocorrências no primeiro semestre de 2025, a quantidade caiu para 980.
Na última terça-feira (11/8), o Projeto de Lei (PL) 651/2026, que obriga comércios que prestam serviços de manutenção ou venda de celulares e acessórios a manterem um cadastro com dados sobre a procedência dos aparelhos, foi votado e aprovado pela Câmara Municipal de BH (CMBH). A medida, assinada pela vereadora Fernanda Pereira Altoé (Novo), visa dificultar a receptação e, consequentemente, diminuir o número de furtos e roubos de celulares na cidade.
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De acordo com a justificativa da vereadora, o principal fator que estimula o furto de celulares é a facilidade com que os aparelhos são reinseridos no mercado. O PL vai criar um mecanismo que faça com que criminosos evitem procurar lojas que exijam identificação formal e a assinatura de uma declaração de procedência. Isso obrigaria estabelecimentos que façam reparo e venda de celulares usados a manterem um cadastro detalhado, com dados do responsável e do dispositivo. Caso aprovado, o texto segue para sanção ou veto do Executivo.
