Crianças durante atividade em escola municipal de Belo Horizonte: alunos obtiveram nota 6,2 nos anos finais do ensino fundamental e 5,2 nos finais  

Rodrigo Clemente/PBH/Divulgação
A educação pública de Belo Horizonte está entre as dez melhores nas capitais do país, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (ldeb) 2025, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). BH voltou a crescer no índice, após quase uma década e passou a integrar a lista das capitais brasileiras com melhor qualidade do ensino fundamental. Já Minas Gerais alcançou as metas para o ensino fundamental – tanto nos anos iniciais quanto finais –, mas ficou abaixo do alvo no ensino médio, embora acima da média do Brasil. Especialista ouvido pelo Estado de Minas analisa que o crescimento é uma recuperação do cenário pré-pandemia da COVID-19 e ainda há muito o que melhorar para avanços significativos.


Belo Horizonte ficou em sétimo lugar entre as capitais brasileiras com o melhor índice relacionado aos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º), com 5,2 pontos na rede municipal. Em 2023, o índice registrado foi de 4,7. Em relação aos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), a capital ficou em oitavo lugar, com 6,2. O resultado é o melhor desde 2017. Em 2023, o índice foi de 5,9, o mesmo de 2021 e marcou 6 em 2019. Já no ensino médio, o Ideb deste ano foi de 4,7 contra 4 no de 2023.


O resultado foi comemorado pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil), que ressaltou o esforço feito nos últimos anos por toda a comunidade escolar. "Depois de muito tempo, Belo Horizonte volta a subir no Ideb e entramos no top 10. Agora o próximo passo? Entrar no top 5. E depois? A melhor educação do Brasil. Tudo fruto de muito trabalho. Muito obrigado a todos os envolvidos nas escolas de Belo Horizonte e na educação da capital. Quero agradecer a minha secretária, Natália Araújo, agradecer a você, diretor e diretora das nossas escolas, agradecer aos professores e professoras, agradecer aos alunos e alunas das nossas escolas”, declarou.

AVANÇOS EM MINAS

Os resultados mostram que Minas Gerais alcançou 6,6 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano). A meta para o país era de 6 pontos e em 2023, o índice foi de 6,3. Nos anos finais (6º ao 9º) do ensino fundamental, o estado registrou 5,5 pontos, que é a meta nacional. Em 2023, o índice ficou em 4,9 pontos.


Já no ensino médio, Minas teve 4,6, abaixo da meta de 5,2, mas acima do índice anterior de 4,2 pontos. Entre os destaques por estado, uma escola da rede municipal de Novo Oriente de Minas, no Vale do Mucuri, registrou um salto em relação ao levantamento anterior. Em 2025, ela obteve 9,3 pontos contra 4,7 da edição anterior.


O governador Mateus Simões (PSD) comemorou os avanços. “Minas acaba de alcançar o melhor resultado do Ideb na história da educação. Esse resultado não nasceu da noite para o dia. É fruto de um governo que disse não para ineficiência e para velha política e disse sim para reforma de escolas, sim para ensino em tempo integral, sim para a ampliação do ensino em tempo integral”, disse, em suas contas no X.

RECUPERAÇÃO

Economista e especialista em educação pela UFMG, Cláudio de Moura Castro diz que os índices voltaram ao patamar da pré-pandemia da COVID-19. Segundo Castro, a hierarquia entre as etapas de ensino – fundamental anos iniciais, finais e médio – segue a mesma lógica. “O fundamental de 1° ao 5° ano, que sempre mostrou avanços, continua crescendo mais depressa. O fundamental do 6° ao 9° ano, que avança mais devagar, segue no mesmo ritmo, e o médio é sempre mais problemático e fica abaixo da meta. Mas também teve um pequeno avanço. Não houve surpresa”, pontua.


O professor diz que o problema é estrutural. “O ensino médio recebe alunos mal alfabetizados do ensino fundamental e tem vários problemas que são conhecidos, como excesso de matérias, professores mal preparados, curso pouco atrativo para os jovens e um currículo distante do mundo do aluno.”
Para ele, grande parte desses problemas não foram resolvidos e o ensino médio segue no centro das preocupações. “Essa pequena melhora foi, essencialmente, recuperar a perda que ocorreu na pandemia. Não houve um salto de qualidade. O ensino médio não mostra avanços há muito tempo”, observa.


Para colher avanços significativos, o professor diz que é preciso consolidar a separação dos alunos por áreas de interesse e aptidão. “Há os que preferem matemática, outros português e outros, biologia. A escola tem que permitir que os alunos desenvolvam seu potencial de acordo com o interesse em cada uma das áreas.”


Na visão do especialista, no ensino médio, a opção por área deveria ser implementada, como ocorre em outros países. “No Brasil, com a mudança da lei (15.388/2026, que instituiu o Novo Plano Nacional de Educação) deu uma melhorada. Mas ainda assim, a base comum é pesada demais. As mudanças foram positivas e podem trazer melhora, mas isso precisa ser implementado em todo o país”, destaca.


Castro ressalta que Minas estava entre os melhores estados do país na década de 1990. Depois, foi caindo de posição. “Nos últimos anos, começou a se recuperar. Mas, para um estado que foi o primeiro, ainda está bem abaixo.” Ele cita que os estados de Goiás e do Espírito Santo, sem tanta tradição, ficaram à frente de Minas no ensino médio, com 4,8 e 4,9 pontos, respectivamente.

CENÁRIO NACIONAL

Segundo o levantamento, em 2025, o Brasil alcançou 6,3 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, acima da meta estabelecida de 6 pontos. Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, o país alcançou 5,3 pontos – 0,2 abaixo da meta – e o ensino médio registrou 4,5 pontos, também ficando abaixo da meta do indicador para o país que era de 5,2.


Segundo o MEC, são 14,5 milhões de matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental em 101 mil escolas. Nos anos finais, o Ideb retrata 11,2 milhões de matrículas em 61 mil escolas. Em relação ao ensino médio, os resultados do Ideb correspondem a 7,3 milhões de matrículas em 30 mil escolas.

Entenda o índice

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O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica confere notas de 0 a 10 de acordo com o desempenho dos alunos e o número de aprovados (fluxo escolar). A nota é calculada com base no Censo Escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) realizado a cada dois anos. Os resultados dos testes de língua portuguesa e matemática são padronizados em uma escala de zero a dez, e a média dessas duas notas é multiplicada pela média das taxas de aprovação. O indicador foi criado em 2007, junto com o “Compromisso Todos pela Educação” (Decreto nº 6.094/2007). Na ocasião, foram estabelecidas metas a serem atingidas por cada estado brasileiro, pelo Distrito Federal e pelos municípios, bem como resultados projetados para cada unidade escolar. O primeiro ciclo ocorreu entre 2007 e 2021.

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